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Um pouco sobre cogumelos

HISTÓRIA DOS COGUMELOS

Reza a lenda que os cogumelos foram um dos primeiros alimentos colhidos
pelos povos pré-históricos. O seu cultivo, no entanto, só teve início na
antiguidade. Os egípcios cultivavam para servi-los de iguarias aos faraós,
os romanos e os gregos serviam como alimento principal em suas famosas
orgias. "Apesar de não haver um estudo específico sobre o assunto no Brasil,
sabe-se que os cogumelos silvestres são colhidos in natura em todo o mundo
há séculos. Na china, por exemplo, foram encontrados restos de cultivos em
toras, datados de 1500 a 2000 anos, provavelmente de Shiitake", conta o
biólogo Ricardo Sampaio Fernandes, de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Já durante o Império Romano, as primeiras espécies cultivadas foram as
Polyporus tuberoster (pedra Fungaie) e Polyporus corylinus, encontradas nas
lenhas de alveleiras e eucaliptos. Naquele tempo, foi descoberto, na Itália,
a pedra fungaie, onde era produzido o cogumelo. Segundo a obra O Moderno
Cultivo de Cogumelos, de Oscar Molena, essa pedra era composta de um
aglomerado de humo, folha, galho e rocha calcárea. Essa massa compacta era
transportada para a residência dos patrícios, colocada em ambiente úmido e
irrigada diariamente até a época da colheita.

O cultivo de cogumelos chegou na França séculos depois, durante o reinado de
Luís XIV (1638-1715). Os fazendeiros costumavam planta-los ao redor de
Paris. Por isso, Champignon de Paris. Mas só a partir de 1707, o cultivador
Freucwmau Toumwefort desenvolveu uma técnica que utiliza esterco de cavalo
fermentado para inocular o micélio. A produção, porém, era prejudicada pelo
aparecimento de doenças, provocadas por outros fungos e microorganismos
competidores.

Em 1983, J. Cosntantino iniciou a produção de micélio puro a partir da
multiplicação do tecido em condições totalmente assépticas. Assim, o micélio
passou a ser produzidos em ambiente esterilizado. Somente 12 anos depois,
essa técnica começou a ser difundida pelo Instituto Pasteur, de Paris.Por
meio dela, os franceses se tornaram os maiores produtores mundiais até 1940,
quando perderam a hegemonia para os Estados Unidos.Logo depois, o cultivo de
cogumelo também chegou ao Brasil.

Segundo a literatura nacional, os primeiros cultivos foram introduzidos
pelos chineses nos ano 50, na região de Mogi das Cruzes (SP) e pelo italiano
Oscar Molena, em Atibaia (SP). "O Molena foi o pioneiro no país, iniciando
com o cultivo do Champignon de Paris", lembra o zootecnista Carlos Abe,
produtor e exportador de Shiitake e Agaricus Blazei, da Fazenda Guirra, em
São José dos Campos, em São Paulo. O primeiro cultivo em escala comercial
ocorreu em 1952, na Fazenda São José, em Cabreúva (SP). Em 1990, o consumo e
o cultivo se intensificou, seguindo a tendência mundial. O preço alto, no
entanto, fez com que, durante muito tempo, o cogumelo fosse considerado um
alimento exótico e sofisticado.

Hoje os cogumelos são ingredientes dos mais variados pratos, como sopas,
refogados, assados, cozidos e até pizzas. O Champignon de Paris, a primeira
espécie cultivada no Brasil, reinou soberano nas mesas brasileiras até dez
anos atrás, quando os chefs europeus trouxeram outras variedades, como o
Shiitake, o Shimeji e o Hiritake. O Shiitake detém o segundo lugar em
consumo no mundo, sendo sobrepujado somente pelo Champignon de Paris. No
Brasil, ele é muito apreciado pelas colônias asiáticas e japonesas, que o
consideram o alimento da longevidade e o usam como ingrediente de pratos
oferecidos em alguns rituais, como aniversários e casamentos. O Shimeji,
nome popular dos cogumelos de chão úmido, é muito usado na culinária
japonesa. Já o Hiratake, conhecido popularmente por 'orelha-de-pau' pelas
donas de casa brasileiras, devido ao seu formato, também caiu no gosto dos
consumidores brasileiros. O sabor refinado, maior variedade e a queda no
preço colaboraram para o aumento do consumo. Infelizmente a produção no
Brasil não é auto-suficiente e ainda tem de competir no mercado interno com
os importados para suprir a demanda. "Apesar de o cultivo ter crescido
bastante, é de forma inadequada e por pequenos produtores. O consumo ainda é
muito maior que a produção nacional. "Importamos apenas cogumelo secos e em
conserva. Os frescos ficam mesmo com a produção, que é muito menor que a
procura", enfatiza Ricardo Sampaio. A produção de cogumelos, no entanto, tem
despertado um interesse cada vez maior devido a diversos fatores. O
principal, sem dúvida, é que o cultivo exige pequenas áreas e, como o
cogumelo tem um ciclo de vida curto, garante constantes safras, desde que
haja um planejamento certo para se produzir em cada estação do ano.

Outro aspecto relacionado ao aproveitamento integral de resíduos orgânicos e
florestais como substrato para o cultivo. Cem quilos de palha de capim, de
trigo ou de arroz e uma tonelada de bagaço de cana úmido (30% de água), por
exemplo, resultam em 10% de cogumelos. Sob o ponto de vista nutricional, os
cogumelos também merecem destaque, pois constituem boa fonte alimentar.
"Eles têm bastante gordura, mas possuem poucas calorias, além de serem ricos
em minerais, proteínas, vitaminas e aminoácidos. Seu alto teor de ácido
glutâmico auxilia no equilíbrio do sistema imunológico", avalia a
nutricionista Elizabeth Torres, da Universidade de São Paulo.
O auto conteúdo protéico dos cogumelos, inclusive, tem sido apontado como
uma alternativa para incrementar a oferta de proteínas às populações de
países em desenvolvimento e com alto índice de desnutrição. Pesquisas
apontam que 200g de cogumelos secos são suficientes para o balanço
nutricional de um ser humano normal de 70 kg.

Fonte: www.revistadaterra.com.br

Tabela Nutricional

Shiitake
Calorias: 33Kcal/100g
Umidade: 92g/100g
Proteína: 1,6g/100g
Lipídeos: 0,4g/100g
Fibra alimentar: 3,9g/100g
Fósforos: 89mg/100g
Folatos: 0,7mg/100g
Vitamina B1: 0,01mg/100g
Vitamina B2: 0,06mg/100g
Vitamina C: 7,2mg/100g

Shimeji
Caloria: 36Kcal/100g
Umidade: 91g/100g
Proteína: 2,2g/100g
Lipídeos: 0,4g/100g
Fibra alimentar: 3,6g/100g
Fósforo: 110mg/100g
Folatos: 0,8mg/100g
Vitamina B1: 0,04mg/100g
Vitamina B2: 0,08mg/100g
Vitamina C: 6,5mg/100g

Champignon de Paris
Caloria: 30Kcal/100g
Umidade: 92g/100g
Proteína: 2,3g/100g
Lipídeos: 0,4g/100g
Fibra alimentar: 1,5g/100g
Fósforo: 113mg/100g
Folatos: 1mg/100g
Vitamina B1: 0,03mg/100g
Vitamina B2: 0,25mg/100g
Vitamina C: 6,3mg/100g

Fonte: Regina Prado Zanes Furlani (Tese de Doutorado “Valor nutricional de
cogumelos cultivados no Brasil” - FEA Unicamp)

TIPOS DE COGUMELOS
Não se sabe ao certo quantas espécies de cogumelos existem. Estima-se que há
cerca de 3.500 tipos, incluindo os venenosos, os alucinógenos, os
ornamentais, os comestíveis e os medicinais. Os venenosos estão em maioria,
ocorrendo principalmente nas regiões do México. No Brasil, eles são mais
raros. Um dos mais conhecidos é o Amanita muscarina, chamado de mata-moscas,
usado para se extrair a muscarina e o LSD, substâncias que agem no sistema
nervoso central e causam alucinações. Esse famoso cogumelo dos desenhos
infantis, com chapéu vermelho e escamas brancas não havia sido encontrado no
Brasil até 1984, quando passou a ser coletado no Estado do Paraná.

Em menor número, estão os medicinais, que são muito usados pela ação
antibiótica. A penicilina por exemplo, foi a primeira substância medicinal
produzida a partir de um fungo, o Penicillium chrysogenum. Recentemente,
pesquisas científicas comprovaram a eficiência dos cogumelos medicinais no
combate ao colesterol e ao câncer. No Brasil, o mais conhecido é o Agaricus
Blazei. Os comestíveis também possuem propriedades terapêuticas. O Shiitake,
por exemplo, controla a pressão arterial, reduz o nível de colesterol e
inibe o desenvolvimento de tumores, vírus e bactérias. A literatura
especializada, cita aproximadamente 2 mil espécies potencialmente
comestíveis, porém, apenas 25 delas são normalmente utilizadas na
alimentação humana e um número ainda menor tem sido comercialmente
cultivado.

Principais Cogumelos Comestíveis:

-Champignon de Paris

-Shiitake

-Shimeji

-Hiratake ou shimeji branco

-Pleurotus salmon ou shimeji salmon

Os 4 superpoderes dos cogumelos

Para vencer a balança, a gula que faz você pedir bis no jantar, a baixa
imunidade que abre portas para doenças ­ da gripe ao câncer - e o colesterol
alto, shimeji e shiitake, os cogumelos do momento, são os grandes heróis
dessa história. Vamos tirar proveito da força desse alimento do bem.

por Débora Lublinski | foto Carin Krasner/Foodpix/Getty Images

Eles não são figurinhas tão fáceis no nosso cardápio como o champignon. Mas
se você nunca experimentou os cogumelos shimeji e shiitake, a hora é essa.
Grelhados com shoyu como são servidos na culinária japonesa, incrementando
risotos ou massas, como acompanhamento de peixes ou carnes assadas,
salpicados na omelete e até na nossa amada pizza, eles estão cada vez mais
populares nos pratos dos restaurantes badalados. Mas não é só pelo sabor e
pela versatilidade que a família dos cogumelos merece aplausos. Agora, esse
fungo comestível (não faça cara feia antes de provar, menina!) entrou na
lista dos alimentos campeões. Estudos científicos, a maioria da Universidade
de Osaka, no Japão, elegeram esse alimento como um dos queridinhos da
nutrição funcional depois de comprovar sua ação de prevenção e cura contra
algumas doenças. Tanto que, apesar do preço ainda salgado, é possível
comprá-lo fresco ou congelado com mais facilidade em feiras e até nas
grandes redes de supermercados. A gente revela só para você, garota antenada
em alimentação, os superpoderes dos cogumelos mágicos.

poder nº 1: ativa o botão da saciedade e diminui a fome

Dependendo da receita, um prato à base de shiitake ou shimeji pode ser
considerado para lá de light. O alimento soma apenas 35 calorias, em média,
para uma porção generosa de 100 gramas, 1 xícara e meia de chá ­- um valor
menor que a metade da mesma quantidade de kani, por exemplo, que já é
considerado pouco calórico. "Sem falar que o sabor intenso dele aciona uma
espécie de centro de recompensa do nosso sistema nervoso. Ativado, esse
centro manda uma mensagem de saciedade ao cérebro", explica Vanderlí
Marchiori, nutricionista de São Paulo. Mas atenção: para conservar o baixo
valor calórico do cogumelo não vale banhá-lo na manteiga (troque-a por uma
colher de chá de margarina light) nem regar o risoto com uma lata de creme
de leite.

poder nº 2: garante tanta proteína quanto a da carne vermelha (e engorda
menos!)

Ele contém vitaminas, fibras e minerais, mas é o alto teor protéico o
carro-chefe nutricional do cogumelo. Dá para dizer que quatro colheres de
sopa de shiitake equivalem a um bife de carne vermelha pequeno. Tanto o
shiitake como o shimeji contêm uma composição privilegiada de aminoácios
essenciais, aqueles nutrientes fundamentais para o metabolismo funcionar a
pleno vapor e que o nosso corpo não sintetiza sozinho. Outra grande vantagem
dele sobre a carne está na baixa quantidade de gorduras. Enquanto 100 gramas
de contra-filé têm cerca de 13 gramas de lipídios, a mesma quantidade de
cogumelo não ultrapassa um grama de gordura. Aí, não importa se você é fã da
proteína para ganhar músculos ou se quer emagrecer comendo menos
carboidrato, o ponto vai para o cogumelo.

poder nº 3: recruta o exército de defesa do organismo e previne da gripe ao
câncer

Estimular o sistema imunológico está entre os principais benefícios
terapêuticos dos cogumelos shimeji e shiitake e, só por isso, já podem ser
considerados alimentos mais do que funcionais. Essa missão fica a cargo de
uma substância chamada lentinan. "Segundo estudos da Universidade de
Michigan, nos Estados Unidos, o lentinan seria capaz de estimular o
funcionamento dos macrófagos, células responsáveis pela produção da
interleucina, uma outra substância relacionada ao combate da gripe e de
outras infecções, até mesmo as causadas por doenças crônicas como hepatite e
Aids, além de prevenir o aparecimento de tumores cancerígenos", constata
Jocelem Mastrodi Salgado, professora titular de nutrição da Escola Superior
de Agricultora Luiz Queiroz (ESALQ/USP), em Piracicaba, interior de São
Paulo.

poder nº 4: afina o seu sangue e afasta o mau colesterol

Ao lado de uma lista que inclui a cevada, o farelo de arroz, a alga marinha
e o chá verde, os pesquisadores apontam o shiitake e o shimeji como
alimentos capazes de proteger o organismo contra doenças ligadas ao coração.
Entre elas, o colesterol alto, a hipertensão, o enfarte e o diabetes. São
duas as substâncias responsáveis pela tarefa: a eritadenine que diminui a
agregação de gordura no sangue (e que, quando em excesso, entope as
artérias) e as betaglucanas, fibras que ajudam no controle do mau
colesterol. Não é à toa que os chineses chamam os cogumelos de tônico da
longevidade e os utilizam, há muitos anos, secos ou na forma de extratos
como medicamentos para tratar o corpo e viver cada vez melhor.

siga o modo de fazer

O truque para tirar o melhor proveito desses super-heróis, o shimeji e o
shiitake, é prepará-los em molhos, sopas, cremes, refogados ou chás. É que
as receitas em que eles passam por aquecimento multiplicam seus poderes.
"Aquecidos a 65 graus (temperatura que antecede o ponto de fervura), durante
pelo menos dois minutos, eles atingem uma boa concentração dos princípios
ativos", justifica a nutricionista Vanderlí Marchiori. "Além disso, quando o
assunto é prevenção, indica-se consumir 30 gramas ou três colheres de sopa
desses cogumelos por semana para afastar os problemas de saúde",
complementa.

Fonte: Revista Boa Forma

As propriedades terapêuticas do cogumelo

Chineses e egípcios antigos já conheciam os benefícios terapêuticos do
cogumelo. Dizia-se que essa planta, sem raiz nem clorofila, "afinava o
sangue", reduzia infecções e até agia como afrodisíaco. Nas últimas décadas,
várias pesquisas estão confirmando essas crenças e já se sabe que há pelo
menos 30 variedades de cogumelos que teriam benefícios medicinais.

Entre eles, os mais conhecidos, pesquisados e cultivados entre nós são o
shiitake e o Agaricus blazei. Carnudos, fritos, bem temperados com azeite,
acompanhando carnes, peixes ou massas, ou simplesmente como aperitivo, os
cogumelos são de dar água na boca. São dessas iguarias de paladar delicado,
que enriquecem qualquer prato e que merecem ser degustadas devagar.

Utilizados como alimentos em todas as eras e culturas, os cogumelos
apresentam elevado teor protéico (19 - 35%) e baixo teor de gorduras; contém
ainda grandes quantidades de carboidratos e fibras, variando de 51 - 88% e
de 4 - 20% (peso seco), respectivamente, para as principais espécies
cultivadas. Além disso, o alimento contém quantidades significativas de
vitaminas, principalmente tiamina, riboflavina, ácido ascórbico, vitamina D2
, bem como de minerais.

O cogumelo já mereceria aplausos apenas pelo seu sabor e seu valor
nutricional, o que já não é pouco. Mas já há muitas pesquisas revelando que
o alimento contém substâncias capazes de prevenir e reduzir o risco de
certas doenças. Estudos tem demonstrado que certos cogumelos podem agir
sobre o sistema imunológico de indivíduos saudáveis e enfermos, trazendo
benefícios potenciais para doenças como o câncer, cardiovasculares,
infecções e doenças autoimunes como a artrite reumatóide e o lúpus.

Por tudo isso, recentemente os cogumelos têm se tornado atrativos como
alimentos funcionais e como uma fonte para o desenvolvimento de
medicamentos. O cogumelo Agaricus blazei Murill, por exemplo, tem sido
tradicionalmente usado como uma fonte de alimento funcional no Brasil para a
prevenção de câncer, diabetes, hiperlipidemias, arteriosclerose e hepatite
crônica.

Cogumelos: características gerais

Conhecido entre nós como champignon. O cogumelo é um vegetal que não tem
raiz, nem talo, nem folhas, nem clorofila, e que se alimenta de matéria
orgânica já existente. É mais frequentemente encontrado aderido à madeira,
ao esterco, ao humus.

Conhecido desde tempos primitivos, algumas espécies de cogumelo são
venenosas, outras alucinógenas. A grande maioria das espécies são
comestíveis, mas as variedades saborosas não passam de 20. Por essas razões,
nunca se aventure a recolher cogumelos na natureza, os chamados cogumelos
silvestres ou selvagens, a menos que você seja um conhecedor.

É possível comprar os cogumelos frescos, congelados, secos ou em conservas.
Quando frescos, algumas variedades podem ser consumidas cruas, mas a grande
maioria exige ou fica mais saborosa com o cozimento. A grande vantagem do
cogumelo é que ele absorve o sabor dos pratos aos quais é adicionado, o que
o torna um ingrediente muito valorizado em diferentes receitas. Vai bem com
pratos tão variados como mariscos e pizzas.

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Cogumelos: propriedades terapêuticas

Há uma extensa literatura falando dos benefícios desses fungos,
especialmente o shiitake, ou Lentinus edodes, e o Agaricus.
O shiitake também é conhecido no ocidente simplesmente como champignon,
termo que também é empregado para designar todos os cogumelos comestíveis.

Essa espécie é citada pelos pesquisadores como capaz de reduzir o
colesterol, ao lado de uma lista de alimentos que inclui a cevada, o farelo
de arroz, a alga marinha, o leite magro e os chás, tanto o verde como o
preto.

Essa mesma capacidade também é atribuída ao cogumelo preto asiático,
conhecido como mo-er ou "ouvido da árvore". Essa variedade teria uma grande
capacidade de "afinar o sangue", afastando os coágulos. Entre os orientais,
esse cogumelo é conhecido como "tônico da longevidade". Dale Hammerschmidt,
hematologista da Escola de Medicina da Universidade de Minnesota, diz que
chegou a observar mudanças importantes nas plaquetas do sangue depois de
comer um prato desse cogumelo preto.

Segundo pesquisadores, esse champignon contém vários componentes que "afinam
o sangue", inclusive a adenosina, presente também no alho e na cebola. O
médico Hammerschmidt acredita que o grande consumo pelos chineses de alho,
cebola, cogumelo preto e gengibre explicaria em parte os baixos índices de
doenças coronarianas entre eles.

Mas voltemos ao shiitake, que é um dos cogumelos mais consumidos entre nós.
Sua principal propriedade seria uma substância descoberta e batizada de
lentinan, e que seria um "modificador para melhor da resposta biológica".
Alguns estudos teriam demonstrado que essa substância aumenta a atividade
imunológica contra o câncer.
O lentinan, segundo algumas publicações, teria sido isolado em 1960 pelo dr.
Keneth Cochran, da Universidade de Michigan. Seus estudos provaram que o
lentinan exibia uma forte atividade estimulante do sistema imunológico.

A partir daí, uma série de estudos vem considerando o lentinan do shiitake
uma substância eficaz para aumentar a imunidade do organismo. O lentinan
seria capaz de estimular o funcionamento dos macrófagos, o que aumentaria a
produção de interleucina 1, uma substância que combate os tumores.

Também seria capaz de ampliar nas células sua atividade citotóxica, de
destruir as células cancerígenas. O cogumelo shiitake ainda teria a
capacidade de estimular a proliferação de linfócitos T, células auxiliares
especiais de proteção, aumentando também a produção de interleucina-2.

Pesquisas realizadas por cientistas da Universidade de Medicina Smmelweis,
em Budapeste, Hungria, também consideram o lentinan capaz de modificar as
células, aumentando sua resistência à colonização ou à disseminação de
células pulmonares cancerosas. Partindo dessa informação, o shiitake pode
ajudar o sistema imunológico a combater e prevenir o câncer. Por conta do
lentinan, outros estudos mostraram que o shiitake é capaz de combater o
vírus da gripe melhor que uma droga antiviral e antigripal.

Pelo mesmo princípio, e como qualquer alimento que estimule o sistema
imunológico, o lentinan poderia ajudar no combate às infecções em geral,
incluídas aquelas provocadas pelo HIV. Estudo citado em literatura diz que
testes de laboratório conduzidos no Japão constataram que o shiitake é tão
eficaz contra o HIV quanto o AZT, a primeira das drogas bem-sucedidas contra
o Aids.

Tanto na medicina tradicional chinesa, como no resultado de alguns estudos,
o shiitake aparece como sendo o tônico da longevidade, remédio para o
coração, para o câncer, para a pressão arterial e para a redução das
plaquetas sanguíneas aderentes. Na China, o lentinan é usado no tratamento
da leucemia. Ingerido diariamente, o cogumelo shiitake fresco (85 gramas) ou
seco (10 gramas) seria capaz de diminuir em 7% e 10% o nível de colesterol,
respectivamente.

O cogumelo Agaricus blazei também possui a capacidade de melhorar as defesas
do organismo. Vários estudos feitos com essa variedade, por pesquisadores
japoneses e norte-americanos, encontraram no cogumelo Agaricus blazei
componentes que estimulam a produção de novas células de defesa do
organismo, tais como as células B, que produzem anticorpos
(imunoglobulinas - imunidade humoral); as células T, que atacam as bactérias
e vírus diretamente (imunidade celular) e as células natural killers (NK),
que atacam qualquer invasão prejudicial, e representam 15% dos glóbulos
brancos do sangue. Os principais componentes ativos presentes no fungo
seriam os polissacarídeos Beta-D-glucana, o ácido ribonucléico,
heteroglucana, xyloglucana, lecitina, etc. Introduzidos nos glóbulos
brancos, esses elementos liberariam anticorpos que destroem ou impedem a
proliferação de células cancerígenas A presença de esteróides naturais
(ergosterol), também é relevante na ação anti-cancerígena.

Alguns estudos mostram também que cogumelos em geral, principalmente aqueles
da variedade Agaricus blazei auxiliariam no controle da pressão arterial, do
colesterol e da arteriosclerose pela sua riqueza em fibras e gorduras não
saturadas. A espécie blazei também seria rica em vitaminas B1 e B2, além de
apresentar grandes quantidades de ergosterol que pode ser convertido em
vitamina D2 quando seco ao sol ou desidratado.
Cogumelos: últimas considerações

A busca por substâncias ou métodos que aumentem ou potencializem o sistema
imunológico, de forma a induzir uma resistência sem causar efeitos
colaterais deletérios ao organismo, tem sido uma das mais importantes buscas
da ciência na cura contra o câncer e outras doenças debilitantes.

Diante dos possíveis efeitos benéficos proporcionados pelos cogumelos,
especialmente as espécies Lentinus edodes (shiitake) e Agaricus blazei, fica
evidenciado a importância de mais pesquisas experimentais e clínicas com
esses alimentos, com o objetivo de elucidar de forma mais precisa o papel
desses cogumelos como agentes preventivos e curativos.

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A história do cogumelo

O cogumelo tem uma longa história. Alguns estudiosos registram vestígios
desse fungo num período que vai de 3.000 a 7.000 anos atrás. Na América
anterior à descoberta, "cogumelos mágicos" eram empregados em cerimônias
religiosas, por suas propriedades alucinógenas.

Por sua capacidade de brotar rapidamente da madeira apodrecida ou do esterco
dos animais, os antigos viam no cogumelo um sinal religioso. Os egípcios
acreditavam que os cogumelos eram oferenda do Deus Osíris. Os romanos
pensavam que os cogumelos eram resultados dos raios lançados sobre a terra
por Júpiter, durante as tempestades, o que explicaria sua "aparição mágica".

Entre os chineses, os cogumelos eram procurados nas matas para serem
empregados com fins medicinais há 3.000 anos. Até 40 anos atrás, o consumo
de cogumelo ainda se limitava à colheita das espécies silvestres. No
mercado, custavam caro e só eram encontrados em casas especializadas.

Hoje é bem diferente. O número de plantadores cresceu muito, o preço ficou
acessível e os cogumelos podem ser encontrados nas feiras e supermercados.
Quem quiser aprender a cultivá-los, basta procurar sites na internet.

O aumento da produção e do consumo veio na esteira das pesquisas. Não por
acaso, foram os japoneses que mais pesquisaram os cogumelos, e são eles os
maiores consumidores e defensores dos seus benefícios. Estima-se que já
existam mais de 30 tipos de cogumelos catalogados como tendo propriedades
terapêuticas. As espécies mais consumidas e pesquisadas, e mais conhecidas
entre nós são o shiitake, o Agaricus blazei e o reishi.

fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/vida_saudavel13.htm
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