Mais e mais cogumelos!

Cogumelos mágicos

Cogumelos há muitos. Andámos a “apanhar” os melhores para o sistema imunitário.

Crus, em saladas ou cozinhados, os cogumelos contribuem com uma excelente fonte de vitaminas do complexo B. Contêm ainda cálcio, ferro, magnésio, zinco e proteínas. E desempenham um papel muito importante no balanço ácido-alcalino (os cogumelos estão entre os alimentos mais alcalinos) da dieta, cujo desequilíbrio dá origem a mal-estar, inflamações e problemas de saúde. É principalmente por questões de saúde que lhe damos a conhecer estes quatro cogumelos. Infelizmente, não “brotam como cogumelos”, mas sempre é
possível encontrá-los em supermercados e lojas dietéticas ou sob a forma de suplementos para reforçar o sistema imunitário.

Shiitake: o rei dos cogumelos

O segundo cogumelo comestível mais comum no mundo é encontrado nas madeiras mortas de árvores como o castanheiro (daí o prefixo shiia, que em japonês, significa castanheiro). Tem uma história medicinal de mais de mil anos, tendo sido venerado por imperadores japoneses, onde é reconhecido como um importante alimento na saúde. Na China, foi tradicionalmente usado para tratar constipações, resfriados e doenças cardiovasculares.

Na verdade, os estudos actuais indicam o shiitake como uma esperança no tratamento de colesterol e pressão sanguínea elevados. O “segredo” está nos seus dois compostos que promovem a actividade imunitária: um polissacárido denominado lentinano e um extracto designado LEM. Ambos têm mostrado benefícios em casos de cancro (como coadjuvantes, influenciando os marcadores imunitários e as chamadas células assassinas). E também sobre o HIV, sendo necessários contudo mais estudos para comprovar estas investigações feitas em animais.    

Conselhos: pode ser cozinhado fresco ou seco (6-16g/dia), consumido em forma de cápsulas (extracto padronizado em lentinano: 100-400mg, 3 vezes por dia), extracto e pó.  

Maitake: o cogumelo dançante

“O extracto de maitake combate o cancro e reforça o sistema imunológico, mais do que qualquer outro cogumelo tradicional”, segundo o famoso médico norte-americano Andrew Weil.

Maitake (em japonês, cogumelo dançante) parece nascer da sua semelhança com uma borboleta dançante. Mas também se conta que, pelo seu valor saudável ou devido ao sabor ou beleza, a descoberta do cogumelo terá sido festejada com dança e alegria, o que motivou tal designação. E de facto, havia motivos para comemorar: o maitake é um potente adaptogénico, que ajuda a equilibrar os vários sistemas e funções do corpo.

Pode ser encontrado no Japão, América do Norte e Europa. E principalmente graças aos polissacáridos, designados beta-D-glucanos, tem uma actividade anti-cancerígena investigada em estudos, sobretudo quando tomado oralmente. Revelou ainda ajudar a reduzir os efeitos secundários da quimioterapia, reforçando o sistema imunitário. O maitake parece ser mais eficaz em casos de cancro da mama, próstata e fígado. E menos efectivo nos tumores nos ossos, sangue e cérebro.  

Conselhos: 4 a 7 g/dia (extracto padronizado na fracção D, tomado juntamente com vitamina C, para aumentar a absorção).  

Reishi: o cogumelo da longevidade

É uma excelente escolha como tónico geral da saúde e para aumentar a longevidade. Com um existencial documentado de cerca de 2 mil anos, este cogumelo selvagem japonês foi descoberto pela primeira vez em árvores velhas ou mortas. Devido ao seu sabor amargo, e ao contrário do maitake e shiitake, o reishi é pouco usado como alimento, sendo preferível sob a forma de chá ou suplemento. A investigação mais recente corrobora muitas das utilizações da medicina tradicional: a sua composição em polissacáridos torna-o benéfico para o sistema imunitário, como coadjuvante em terapias de cancro; é ainda usado em situações de asma e bronquite crónica; melhora a saúde cardiovascular, inibindo a agregação plaquetária e reduzindo a pressão sanguínea, sendo, por isso, usado na medicina chinesa no tratamento da hipercolesterolemia. De destacar a protecção que oferece ao fígado e a possível diminuição sobre os níveis de açúcar no sangue (aplicado à diabetes). Falta referir o benefício exclusivo do reishi, estudado em alpinistas chineses: este cogumelo revelou diminuir os sintomas em altitude causados pela falta de oxigenação.

Conselhos: 500 mg, 2 vezes por dia (extracto concentrado) ou 2 a 6 g/dia de cogumelos frescos.          

Cordyceps sinensis: das montanhas do Tibete

Quando o grupo de atletas chineses quebrou nove recordes no World Outdoor Track and Field Championships de 1993, na Alemanha, e o treinador atribuiu esses resultados ao uso regular de um cogumelo, o nome Cordyceps sinensis passou a ser bastante mais conhecido, especialmente no desporto. Isto, porque aumentava a performance, os níveis de energia e endurance. Usado na China, entre os mais velhos, como uma espécie de “super-ginseng”, cresce sobretudo em zonas muito altas, nomeadamente nas montanhas do Tibete, Nepal
e China. Por não existirem em abundância, foram desenvolvidos métodos de fermentação com Cordyceps.

É essencialmente usado em caso de fadiga e fadiga crónica, mas também apresenta bons resultados na melhoria da função sexual. Para além dos efeitos a nível cardiovascular (arritmias e hipercolesterolémia), o Cordyceps sinensis pode ainda contribuir no tratamento de doenças crónicas do rim, na medida em que demonstrou proteger este órgão dos químicos tóxicos.

Conselhos: 1 a 3 g por dia como dose de manutenção.  

Sabia que…

Existem 50 mil variedades de cogumelos em todo o mundo e 300 espécies identificadas em Portugal? Mas apenas cerca de uma dezena tem interesse gastronómico.

90% da composição de um cogumelo é água. Por isso, nascem, crescem, vivem e morrem no espaço de uma semana.

Faça uma “sopa imunitária”:

Ingredientes:

8 Chávenas de água

1 Colher de sopa de azeite

1 Cebola cortada

1 Cabeça de alho picada (10 dentes pelo menos)    

1 Pedaço de raiz de gengibre, bem ralada

1,5 Chávenas de pó para caldos de vegetais com sal

(pode ser um pacote de sopa de vegetais)

5 Pedaços de raiz de astrágalo seco, cortado em fatias

2 Chávenas de cogumelos shiitake frescos fatiados

1 Cogumelo reishi grande

Pimenta de Caiena qb.

Passo a passo

1. Ponha a água a ferver numa panela grande

2. Aqueça o azeite, salteie o alho, as cebolas e o gengibre, até ficar tudo macio e aromático. Junte à água o conteúdo da frigideira. Junte o pó para caldo de vegetais, o astrágalo, os cogumelos shiitake e reishi. Deixe ferver lentamente durante duas horas e com a panela tapada.

1.     Retire do lume e deixe repousar durante duas horas

2.     Retire o astrágalo e o cogumelo reishi. Volte a aquecer.

3.     Junte sal e pimenta caiena a gosto. Está pronta a servir.    

(Fonte: Antibióticos Naturais de Stephen Harrod Buhner,

Europa-América 2005)    
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