Entrevista com Paramahansa Prajnanananda

Um trecho da entrevista com Paramahansa Prajnanananda, em sua primeira visita a São Paulo, em 2005 - SESC Pinheiros.

1. O que é a Kriya Yoga em sua essência?

Kriya Yoga é a arte de viver com amor e com a consciência em Deus. O ser humano não nasce para viver apenas para si próprio, mas também para os outros. A Kriya Yoga também é um sistema de meditação que mantém o corpo, a mente e o intelecto em perfeita saúde e harmonia, e, como resultado, permite que a pessoa atinja o objetivo de vida. A meditação Kriya Yoga é baseada em exercícios simples da coluna vertebral, técnicas fáceis de respiração, concentração e em entrar em um estado profundo de consciência mais alta. Através de técnicas e exercícios especiais uma pessoa pode concentrar a mente agitada e experimentar a paz interior e a tranqüilidade.

2. Como é possível estabelecer esta prática numa cidade grande como São Paulo, onde toda perturbação caótica se infiltra no caminho de nossa natureza humana?

Deus nos deu a mente como um presente. Se conseguirmos manter a mente focada, concentrada e equilibrada, poderemos viver em qualquer situação ou ambiente e ainda mantermos a calma e o amor. Uma técnica de meditação como Kriya Yoga é especialmente indicada para os chefes de família e para os que moram nas cidades. O verdadeiro caos não está lá fora; ele está dentro de cada ser humano. Se você puder cuidar de sua própria mente através da meditação, você poderá cuidar de tudo com mais paz e harmonia. Se você morar em São Paulo ou numa caverna, aceite onde está vivendo e viva ali com amor, mudando sua atitude e a maneira de encarar seus desafios diários. A meditação ajuda em todos aspectos da vida.

3. É possível encontrar uma ordem dentro do caos?

Não perca a esperança. Nós estamos na criação de Deus e temos um imenso potencial de induzir uma nova ordem de transformação. Ao invés de reclamar de fatores externos, transforme sua vida interior. Com uma mente em paz e amorosa você pode trazer paz e ordem para dentro de você e em sua volta. 

4. A maneira que as pessoas se relacionam é um assunto importante. Nós lutamos com tipos diferentes de sentimentos, tais como raiva, inveja e toda a hipocrisia nestes dias. Como podemos encontrar a harmonia na nossa vida diária com todas estas questões que estão à nossa volta?

Quando você cozinha vegetais inteligentemente remove a casca e outras partes não-comestíveis. Cozinhar diferentes vegetais junto com temperos e óleo resulta num prato delicioso. De maneira semelhante, temos que remover as qualidades negativas que existem dentro de nós e trazer nossa natureza Divina. Como somos filhos de Deus, temos o potencial divino de amor, paz e harmonia. Toda essa herança Divina está dentro de nós, mas infelizmente as pessoas contaminaram suas vidas com os vícios, tais como raiva, hipocrisia, inveja, etc. A meditação é o remédio que irá matar os germes da raiva, da inveja e de outras emoções negativas, para que se viva uma vida saudável com amor e alegria.

5. A meditação - a experiência pessoal - seria o único meio de se obter harmonia?

A meditação e a ação correta são ambos essenciais para se obter paz e harmonia. Assim como as duas asas são necessárias para o pássaro voar e os seres humanos precisam de duas pernas para que possam andar, necessitamos de meditação e oração para percebermos a paz e a tranqüilidade interior, e para descobrirmos nossa Divindade escondida. Ao mesmo tempo, através da ação correta, nós devemos aplicar esta experiência interior de amor e de alegria em nossa vida diária. Quando vivemos em harmonia com família, amigos e colegas de trabalho, temos uma vida Divina; a falta de harmonia é o caos e a confusão.

6. Se a experiência pessoal é única, é possível dizer que o Divino também é único em cada um de nós?

Existem muitas lâmpadas, mas existe apenas uma corrente de eletricidade passando através das lâmpadas que emite a luz brilhante. Existem muitos ornamentos, mas apenas um ouro está presente em todos. Da mesma maneira parecemos que somos muitos, mas existe apenas um Divino, uma alma, que está presente em todos nós. Deus é um; Seu reflexo em todos nós é único. Por isso essencialmente somos um e únicos. Essas experiências surgem da meditação profunda e da experiência interior.

7. Os desejos são responsáveis pela pobreza de espírito? Como isso acontece?

Existe um provérbio na Índia que diz que a mão de uma criança está sempre cheia, enquanto a de um mendigo nunca está cheia. Uma criança é feliz e cheia de paz; um mendigo é triste e descontente. Para viver neste mundo as pessoas precisam de comida, roupas, abrigo, etc. A cobiça cresce quando as pessoas não estão satisfeitas com o que têm e querem mais e mais, e isso, eventualmente, torna suas vidas miseráveis. Vontades desnecessárias e desejos deixam inquieta a vida de uma pessoa. As pessoas olham para o mundo exterior para possuir muitas coisas, mas eles se esquecem de olhar para o espírito interior e não tentam herdar o reino Divino interior. A agitação e ansiedade resultam do desejo de possuir alguma coisa ou alguém. Esse desejo de possuir deixa a vida da pessoa miserável, através do medo e da insegurança. Seja rico de tesouros espirituais, tais como o amor, a humildade e a paz.

8. Paramahansa Yogananda disse uma vez que a prática da meditação o levou, todo e a cada dia, mais perto de um estado permanente de contentamento que também era invencível. É possível para qualquer ser humano chegar mais perto dessa condição mental?

A disciplina espiritual é como uma experiência científica.Como em um laboratório, um cientista segue as normas do experimento e atinge o objetivo desejado. A mesma coisa no laboratório do coração de uma pessoa, aquele que está no caminho espiritual, através da autodisciplina pode experimentar o estado de contentamento eterno. É possível para qualquer pessoa atingir esse estado. Meu Mestre Paramahansa Hariharananda costumava dizer que, se o seu
desejo de auto-realização for grande, o seu sucesso estará em suas mãos. Não pense que é muito tarde, faça isso agora.Deus lhe deu uma oportunidade rara, não a desperdice.


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