Reportagem Revista Planeta

Sei que é um pouco atrasado, mas segue excelente reportagem da ótima revista
Planeta n°. 432 (fonte:
http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/432/artigo103099-1.htm) sobre
Kriya Yoga (a qual pratico)

KRIYA IOGA Uma linhagem de Mestres
Mencionadas nos textos sagrados dos Upanishads, do Yoga Sutra e do Bhagavad
Gita, as técnicas da Kriya Ioga conduzem ao autoconhecimento

Por Inês Castilho

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Hariharananda (à esquerda) e o seu discípulo Prajnanananda.

São poucos os que amam e praticam o silêncio e a contemplação. Vivemos
ruidosamente, o corpo sempre ocupado, a mente atolada em um turbilhão de
pensamentos. Assim, soam miraculosos os feitos conquistados pelos santos
hindus em vidas inteiras dedicadas ao autoconhecimento por meio da prática
da ioga e da meditação. São histórias de comunicação telepática, de
conhecimento do futuro, de materialização e desmaterialização do corpo.
Histórias fantásticas para quem, como nós ocidentais, constituiu uma
filosofia descolada da experiência pessoal, ao contrário da filosofia iogue,
cujo edifício teórico foi construído a partir da contínua observação da
mente-corpo.
A Kriya Ioga é uma linhagem desses gurus. Sua origem remonta ao período
mítico da Índia, há muitos milênios, mas ela se torna mais conhecida somente
no final do século 19, quando o guru eterno e imortal Mahavatar Babaji
inicia Lahiri Mahasaya. Passada oralmente de mestre para discípulo, foi
então ensinada por Lahiri Mahasaya a Swami Sri Yukteswar, o grande guru de
Paramahansa Yogananda e Paramahamsa Hariharananda – este último o mestre
venerável de Prajnanananda, que estará em São Paulo em outubro.
As técnicas da Kriya Ioga são mencionadas nos textos sagrados dos
Upanishads, do Yoga Sutra e do Bhagavad Gita: “É a revivescência da mesma
ciência que Krishna deu há milênios a Arjuna, e que foi mais tarde conhecida
por Patânjali (autor do Yoga Sutra) e por Cristo, São João e São Paulo”,
como ensina Yogananda no livro Autobiografia de um iogue. No Bhagavad Gita,
diz Krishna: “O iogue detém a degeneração do corpo, garantindo um suprimento
adicional de prana (força vital) ao acalmar a ação dos pulmões e do coração;
ele também detém as mutações do crescimento no corpo, pelo controle de apana
(corrente eliminadora). Deste modo, neutralizando o crescimento e a
degeneração, o iogue aprende o controle da força vital.”
A raiz sânscrita de kriya é kri, que significa agir, reagir, a mesma raiz da
palavra karma e que evoca o princípio natural da causa e efeito; ya
significa alma; e yoga, união. Assim, “Kriya Ioga é a união com o infinito
por meio de certa ação ou rito”. Sua prática se baseia na interação entre a
respiração e a mente, e é composta principalmente de pranayamas, ou
exercícios de respiração e concentração – controlando a respiração e
aquietando as oscilações da mente, o devoto conquista a libertação.
A partir dos ensinamentos de Babaji, várias escolas de Kriya Ioga foram
criadas por seus diferentes discípulos. Na linhagem de Hariharananda há seis
níveis de kriya, cada qual com duração de três a quatro anos. A iniciação é
aberta a qualquer pessoa interessada e a prática pode ser feita
individualmente ou em grupo. No Brasil, há cerca de 5 mil iniciados nessa
linhagem de Kriya Ioga.
Paramahamsa Hariharananda, ou Baba, como é carinhosamente chamado por seus
discípulos, alcançou o mais alto estado de iogue – o estado no qual o
organismo deixa de apresentar pulso e respiração. Tinha profundo
conhecimento da Bíblia, do Alcorão e da Torá, além do domínio das escrituras
hindus. Sua missão de preservar e difundir a Kriya Ioga o levou ao Ocidente
em 1974, aos 67 anos, onde fundou o Kriya Yoga Institute, na Flórida
(Estados Unidos). Sua morte ou mahasamadhi – “saída do corpo, final e
consciente, de uma pessoa realizada” – aconteceu em 2002, aos 95 anos de
idade.
Antes, porém, nomeou como seu sucessor seu discípulo predileto, o monge
indiano Paramahamsa Prajnanananda. Nascido em 1960 em Cuttack, no distrito
de Orissa, na Índia, Prajnanananda foi um buscador espiritual desde a
infância. Guiado por Paramahamsa Hariharananda, em 1994 renunciou à sua vida
acadêmica e aos negócios mundanos para levar a Kriya Ioga para países
europeus, Estados Unidos e, desde 2005, também ao Brasil. É essa a história
que ele vai contar para nós em sua palestra.

Mestre em economia, mestre espiritual

O mestre iogue indiano Paramahamsa Prajnanananda virá a São Paulo em
comemoração aos dez anos do Kriya Yoga Institute no Brasil, cujo primeiro
centro foi criado em Brasília, em 1998. Em evento público e gratuito, ele
fará a palestra “Como abandonei meu doutorado em economia para me tornar
monge” e participará do lançamento do seu livro Minha vida com o mestre, em
que relata os 22 anos de convivência e aprendizado com Hariharananda. Os
recursos obtidos com a venda do livro serão enviados ao orfanato que ele
dirige na Índia.
O Brasil já conhece Prajnananda e Hariharananda. Em 2006, São Paulo e
Brasília foram palco das comemorações do centenário de nascimento de
Paramahansa Hariharananda (PLANETA, julho 2006), falecido quatro anos antes.
Prajnanananda, 48 anos, foi professor de economia no Ravenshaw College, em
Cuttack, Orissa, costa leste da Índia. Profundo conhecedor das escrituras
sagradas, escreveu o livro Minha vida com o mestre seguindo a tradição do
clássico da filosofia espiritual Autobiografia de um iogue, de Paramahamsa
Yogananda. É vice-presidente do Kriya Yoga Institute, com sede na Flórida
(EUA) e filiais em vários países.
O orfanato Hariharananda Balashram fica no distrito indiano de Orissa, na
baía de Bengala, região litorânea freqüentemente castigada por enchentes.
Foi criado para socorrer crianças órfãs e pobres, cujas famílias foram
vitimadas por um grande ciclone que devastou a região e matou quase 50 mil
pessoas, em 1999.
Nele, as crianças aprendem vários idiomas e recebem ensino com base no
currículo oficial indiano. Mas estudam também as escrituras sagradas,
aprendem preces e praticam meditação, segundo o conhecimento espiritual
legado pelos grandes sábios da Índia. Paramahamsa Prajnanananda considera
que até mesmo ali esses valores começam a se perder, razão pela qual se
empenha em resgatá-los. Atualmente com 160 crianças, o orfanato está sendo
preparado para abrigar 480.

Diferentes linhagens, uma única fonte

Babaji foi citado publicamente pela primeira vez por Yogananda em
Autobiografia de um iogue, mas informações sobre sua vida surgiram apenas em
1991, no livro Babaji e os 18 siddhas, de Marshall Govindan Satchidananda”,
explica José Tadeu Arantes. Jornalista e escritor, Arantes é autor de vários
livros sobre espiritualidade, dentre eles Mestres, que trata da vida de
Babaji e de outros sábios de várias tradições. Até julho, era também editor
da revista Le Monde Diplomatique Brasil.
Segundo Govindan, que foi discípulo do grande iogue Ramaiah, Babaji nasceu
numa família de brâmanes no dia 30 de novembro de 203 d.C., numa pequena
aldeia do sul da Índia, e foi chamado Nagaraj, o “rei das serpentes”. Seu
pai era o sacerdote mais importante da aldeia, e ele sentiu desde logo o
efeito de uma vida passada entre cerimônias e comemorações religiosas.
Aos 5 anos, foi seqüestrado por um mercador e vendido como escravo para um
homem rico e bondoso, que o libertou logo depois. Babaji ficou, assim, livre
de seus laços familiares e sociais. Durante anos perambulou com um grupo de
sanyasins, conhecendo templos e estudando as escrituras sagradas. Desde
muito jovem criou a reputação de erudito.
Aos 16 anos, no centro religioso de Badrinath (a mais de 3 mil metros de
altitude, no Himalaia), e depois de 18 meses de rigorosa disciplina iogue,
Babaji entrou em estado de Soruba Samadhi. “A divindade desceu, fundiu-se
com ele e transformou todos os seus corpos – o espiritual, o intelectual, o
mental, o vital e o físico. Seu corpo físico parou de envelhecer e cintilou
com o brilho dourado da incorruptibilidade divina. Babaji assumiu como
missão auxiliar a humanidade sofredora em sua busca de compreensão e
realização do divino. Prometeu permanecer em seu corpo físico, sempre
visível para algumas pessoas deste mundo.” O autor dessas palavras, Marshall
Govindan, teria ele próprio recebido instruções de Babaji durante uma
meditação no Natal de 1988.
“Babaji permaneceu no mundo físico como um grande instrutor, citado por
sábios de várias linhagens. É ele quem está conduzindo todo o processo
espiritual deste planeta, por trás da cena”, sustenta Arantes. Ele lembra
que “o mito da imortalidade existe também em outras tradições religiosas,
como a cristã, com Jesus Cristo; o taoísmo, na China; e o judaísmo, que traz
no Velho Testamento figuras consideradas imortais, como Enoch e Elias.”

SERVIÇO

Evento:
Data e horário – dia 9 de outubro, às 19h30. Local – Associação Hokkaido,
rua Joaquim Távora, 605, Vila Mariana, junto do metrô Ana Rosa, São Paulo.
O evento abre com uma apresentação do coral infantil Vivendo com Arte das
comunidades de Paraisópolis e Jardim Colombo, em solidariedade às crianças
indianas. É seguido pela palestra de Prajnanananda “Como abandonei meu
doutorado em economia para me tornar monge”, pelo lançamento do livro Minha
vida com o mestre e pela exibição de vídeo sobre o orfanato.
A palestra será transmitida pelo site www.kriya.org.br. A entrada do evento
é franca e não é necessário fazer inscrição.
Livros:
Minha vida com o mestre, Paramahamsa Prajnanananda, edição do Centro Kriya
Yoga São Paulo.
Autobiografia de um iogue, Paramahamsa Yogananda, edição da Self-Realization
Fellowship, 1ª edição de 1946.
Babaji e os 18 siddhas – A tradição kriya yoga, de Marshall Govindan
Satchidananda.
Sites:
www.kriya.org
www.kriya.org.br
www.balashramtrek.org
www.handinhandusa.org
www.yogananda.org.br
www.babaji.ca
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