Alimentos como fonte de energia

Quando pensamos em alimentação e nos alimentamos, logo vem aos nossos sentidos a imagem de prazer, representada pelo paladar, pelo visual dos alimentos e pela sensação de assimilação e bem estar na digestão. Mas neste ponto encontramos a diferença entre comer e alimentar-se, pois uma alimentação com discernimento além do prazer proporciona equilíbrio e temos como consequência a saúde.

O ato da alimentação é a transmutação de uma espécie em outra, e segue a Ordem do Universo. Os antigos mestres orientais tomavam a natureza como o campo de pesquisa, onde a diversidade de fenômenos e a leis cíclicas da natureza estabelecem o universo como um todo, e este é mantido dinâmico e vivo graças a harmonia de cada componente.

Para viver de acordo com estas considerações, temos como referência as Fontes de Energia, que seguindo o Taoísmo são:

Fontes Primordiais:

Macrocósmica
Ancestral

Fontes de Manutenção:

Respiratória
Alimentar
Interpessoal

Para compreendermos o valor destas fontes, é fundamental inicialmente desenvolvermos a percepção no ato de respirar, alimentar-se e relacionar-se. Utilizando as fontes de manutenção de energia em conjunto e requerendo de cada uma a sua cota normal de energia vital, sem excessos ou faltas, podemos estar conectados com os ciclos da natureza e assim usufruirmos destas fontes de maneira harmoniosa e producente.

Por esta ótica, o alimento quanto fonte de energia não é apenas uma nova reforma alimentar ou acréscimos de alguns pontos de vista, mas sim a concepção da importância da alimentação na visão do homem global e sua relação com os reinos e ciclos da natureza.

Segundo o Taoísmo, para avaliarmos os fenômenos, partimos da observação das forças polarizadas em Yin e Yang. O frio, a água e a fêmea são exemplos de manifestação Yin, o calor, o fogo e o macho são exemplos de manifestação Yang. Yin simboliza os fatores dissolventes e transformadores e Yang simboliza os fatores organizadores e geradores.

Entre os alimentos observa-se as manifestações destas forças presentes; alguns têm influência expansiva (Yin), outros contrativa (Yang); alguns grandes, outros pequenos; alguns suculentos, outros secos; alguns leves, outros pesados; uns são verdes, outros vermelhos; uns crescem nas extremidades das árvores, outros nos solos; uns nascem no calor, outros no frio; uns são macios e facilmente se estragam e outros são compactos e facilmente estocáveis.

Para melhor compreensão, comparemos dois alimentos: melancia e trigo. A melancia é grande e o trigo é pequeno; a melancia é suculenta, o trigo é seco; a melancia cresce melhor no calor, o trigo em geral é plantado no outono, podendo suportar invernos rigorosos; a melancia não pode ser guardada por muito tempo sem refrigeração, o trigo mantém-se durante anos sem perder a forma ou o valor nutritivo. Podemos perceber que a melancia é uma alimento Yin e o trigo Yang. Mas nada é totalmente Yin ou Yang. Cada manifestação, no caso os alimentos, são mais Yin ou mais Yang em relação a outro.

Deste modo, podemos escolher nossos alimentos pelas estações do ano, por exemplo, no verão instintivamente queremos uma salada de frutas. O calor é uma manifestação Yang, portanto o verão é uma estação Yang, assim para que possamos nos equilibrar, ficaremos atraídos por alimentos Yin. Por outro lado, no inverno voltamo-nos para as sementes, frutos oleaginosos, leguminosas, alimentos de origem animal, sal e comidas mais fortes. Ao frio chamamos de Yin. Assim, o inverno é uma estação Yin, onde seremos atraídos por alimentos Yang.

Estas considerações resumem-se simplesmente nas afirmações: Yin atrai Yang e Yang atrai Yin; Yin repele Yin e Yang repele Yang.

Para que possamos verificar estas manifestações de energia nos alimentos, a mãe natureza nos dá o reino vegetal como a maior prova de que estes são antagônicos e complementares para o movimento cíclico da vida. Segundo a trimembração da planta, a atuação dessas forças difere em cada parte dela.

Podemos observar como exemplo as plantas superiores que dão flores e frutos, para entendermos melhor este processo:

Observamos que cada parte é gerada pela continuidade de forças opostas e complementares. As manifestações das forças telúricas e celestiais interagem incessantemente para este movimento.

Ao semearmos um vegetal, podemos perceber que a energia (Yin) da terra permite que a semente (Yang) possa se manifestar complementarmente.

No processo de crescimento, estaremos atentos a estes movimentos. Ao colocarmos a semente (Yang) - a origem da vida - na terra (Yin) - o colo da mãe natureza - a sua manifestação gerará a interação dessas duas energias, criando uma terceira, o Broto (Yin); o movimento Yin de expansão da semente (Yang). Com estes movimentos inicia-se a transformação em um processo rítmico de contração e expansão, criando assim o equilíbrio.

Do broto (Yin) são geradas as raízes (Yang) - movimento de contração - que mergulham no solo mineral e escolhem os minerais que lhe são necessários para estruturar-se da sua maneira específica; podemos chamar as raízes de "o alicerce da planta", para que esta tenha sua base estruturada para se desenvolver. Em seguida, o desenvolvimento do talo (Yin) - movimento de expansão - onde circula a seiva que é "o alimento da planta", o talo é o canal de interligação da energia telúrica com a energia celestial. Em seguida os nós (Yang) aparecem como a concentração da seiva para a formação da folha (Yin) - movimento de expansão - que tem grande importância na oxigenação celular; ela é quem dá à planta e a nós a condição de assimilação e depuração, por ser ela a parte da planta que de certa forma mantém os mesmos processos respiratórios de absorção de O2 e desprendimento de CO2, incomum ao homem e ao animal.

No crescimento rítmico do caule dá-se a continuidade do movimento da folha (Yin) formando o cálice (Yang) - movimento de contração - para dar origem a flor (Yin), que com sua manifestação de odor, cor, forma, formação do néctar e pólem (órgão de fecundação) promovem a sutilização das substâncias físicas em sensações anímicas. As flores são a polaridade das raízes, despertam em nós os sentimentos de beleza, pureza e amor, por estarem mais próximos da energia celestial, além da atração dos insetos, estabelecendo assim a interação dos reinos vegetal e animal.

A partir da flor (Yin) dá-se a formação dos frutos onde o cálice (Yang) torna a aparecer para dar origem ao fruto (Yin) - movimento de expansão - neles que estão contidas as sementes para que se dê a formação do vegetal; com a queda do fruto, a semente volta da terra, mantendo assim a continuidade do ciclo da vida.

Podemos observar também dois alimentos da mesma classificação, com natureza de propensão Yin ou Yang. Por exemplo: o trigo (Yang) e o milho (Yin).

É importante compreender que no caso, os dois são cereais de origem Yang, porém se manifestam com a intensidade desta energia, maior ou menor em relação ao outro. Para podermos estudar estas manifestações, observamos a sua cor, forma, textura e paladar, utilizando os nossos órgãos dos sentidos. O trigo (Yang) é pequeno e redondo, escuro, rijo, com o paladar forte; o milho (Yin), um grão maior, de cor clara, com mais água (Yin). Por este motivo nas regiões e estações quentes (Yang) ingerimos o milho (Yin) como o cereal assimilável, e o trigo (Yang) em regiões e estações frias (Yin).

Com estas relações, poderemos classificar energeticamente os alimentos, seguindo o ciclo da mãe natureza:

1. SEMENTES - YANG - "Origem da Vida"

Cereal: alimentos ricos em fibras, germens e carboidratos. Ex: arroz, trigo, milho, aveia, centeio, cevada, painço, etc.

Leguminosas: são frutos que nascem em vagem, são alimentos ricos em sais minerais, proteína vegetal, alimentos ácidos. Ex: grão de bico, ervilhas, lentilhas, vagem, ervilha torta e todos os feijões.

Sementes: alimentos ricos em proteína vegetal, óleos e fibras. Ex: gergelim, mostarda, papoula, abóbora, girassol, linhaça, etc.


2. BROTOS - YIN: alimentos ricos em sais minerais, vitaminas, água e energia vital (origens crus). Ex: brotos de feijão moyashi, alfafa, broto de qualquer semente.


3. RAÍZES - YANG

Raíz: alimentos ricos em fibras, vitaminas, sais minerais. Ex: nabo, beterraba, rabanete, cenoura, bardana, lótus, gengibre, ginseng, kabu.

Tubérculos: alimentos ricos em carboidratos. Ex: mandioca, cará, inhame, batata-doce, mandioquinha, batata, etc.


4. TALOS OU CAULES - YIN: alimentos ricos em fibras, sais minerais, fibras, vitaminas, enzimas. Ex: talos de todos os vegetais, agrião, espinafre, brócolos, couve-flor.


5. NÓS - YANG: concentração da seiva do alimento.


6. FOLHAS - YIN: alimentos ricos em clorofila, importantes para a oxigenação celular.

Folhas verde-claras: alimentos calmantes do sistema digestivo, ricos em água. Ex: alface, acelga, etc.

Folhas verde-escuras: ricas em clorofila, fibras, alimentos alcalinos e amargos. Ex: agrião, escarola, mostarda, catalônia, dente de leão, espinafre, etc.


7. CÁLICE DA FLOR - YANG

8. FLOR: alimentos ricos em vitamina D principalmente. Ex: couve-flor, brócolos, alcaparras, etc.


9. FRUTOS - YIN: alimentos ricos em sais minerais, vitaminas.

Frutos ácidos: tomate, pepino, berinjela, jiló, maxixe, quiabo, etc.

Frutos alcalinos: chuchu, abóbora, abobrinha, etc.


10. FRUTAS - YIN: todos os alimentos ricos em frutose, portanto carboidratos mais leves.

Com estas compreensões de equilíbrios de energia, poderemos nos auxiliar na sintonia com o meio em que vivemos, para alcançar um equilíbrio dinâmico e harmonioso. Estando atentos às estações, ao indivíduo e ao alimento mais adequado para cada movimento, poderemos assim nos auxiliar na consciência deste equilíbrio.

"A arte é a expressão através do belo"


Fonte: Escola Amor - FÁTIMA PINSARD
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