A dor

A dor aproxima as pessoas, transforma o orgulhoso em humilde, faz o filho cuidar do pai e o pai do avô.

A dor pausa os pensamentos tempestivos, faz com que as pessoas se acalmem e olhem para dentro, buscando redenção dos erros de outrora.

A dor é uma amiga nas horas em que se transborda as margens do certo e errado, mostrando que é preciso mudança de hábitos.

A dor revela muitas falhas, do corpo e da mente, que semeados pelas más condutas de vida e pensamentos, estouram pequenas bombas de lucidez.

A dor paralisa até mesmo o mais rico dos humanos, o colocando de joelhos perante o céu e a terra.

A dor não escolhe classe social, cor ou sexo, ela é imparcial e ajuda a todos no reconhecimento daquilo que falta.

A dor não é uma inimiga, senão uma amiga que reluta entrar em ação porque acredita que não é necessário seu bastão para que exista correção, mas que não falha ao entrar no jogo das mudanças.

A dor redime aquilo que o discernimento e a introspecção não conseguiram, mostrando a necessidade de mudanças.

A dor aproxima o rico do pobre, porque sente na pele aquilo que outros passam, e se mesmo com ela não aprende, a sim, ela volta e o coloca de joelhos novamente, até que abaixe sua cabeça e retire os véus do orgulho e vaidade.

A dor faz a voz se aquietar onde antes existiam gritos, faz os humanos abrirem os braços e tornarem-se mais fraternos.

A dor foi e ainda é, um grande meio de mudança para aqueles que preferem aprender sentindo no próprio corpo o momento de reflexão e unidade.

A dor gera necessidade de ajuda, faz com que se eleve os pensamentos a Deus, o TAO, encontrando na fé, no prana, no chi, a energia fundamental que não se encontra nos meios físicos de cura.

A dor transforma o descrente em crente para as coisas além do céu e da terra, o cientista em monge, o monge em artista, o artista em músico, o músico em monge, como uma só família aprendendo sobre as coisas do TAO.

A dor é apenas um tempo para parar e pensar, refletir sobre a vida e a morte, sobre como ajudar ao próximo para que ele também não sinta mais a dor e sofrimento.

A dor apresenta o sofrimento, faz com que o choro comova até o coração mais sombrio, depurando o tempo passado de cargas negativas.

A dor em forma de choro retira da alma as toxinas de outrora, mostrando o quanto se torna compassiva a alma que aprende a olhar e perdoar seus próprios erros, e dos seus semelhantes.

A dor mostra novos caminhos para quem deseja mudar, e também a ponta da lança para aqueles que teimam em não mudar.

A dor é sócia do prazer, e para aqueles que a compreendem como uma possibilidade de verificar seus próprios erros, com fé e amor, mudando o que se torna necessário, existe a gratidão pelo aprendizado.

A dor, para aquele que aprendeu com os erros, se despede, deixando um recado:

- Amigo querido, estive contigo para lhe mostrar que desviara dos caminhos do amor e compaixão, que estivera nutrindo seu corpo com alimentos ácidos a vida que lhe sustenta, com pensamentos que não condiz com a pureza da alma, mas agora que não mais precisa de mim, despeço-me e deixo as bênçãos de quem só quer seu bem. E quando precisar de mim novamente, estarei presente, até que possa se tornar livre do orgulho, vaidade, e tudo aquilo que distancia do TAO.

Então, ela se despede, e uma lágrima de gratidão brota dos olhos, porque se verificou na fé e no amor o melhor remédio para o corpo e a alma.

Existem muitos caminhos de aprendizado. Pode-se aprender com os próprios erros, com os erros dos amigos e familiares, estudando, meditando, e também pela dor.

Não existem erros na Justiça e Lei Maior, só aprendizado para que nos libertemos para uma eternidade de Amor.

Mesmo que leve éons, milênios, aquele que erra hoje, seja pela ignorância ou pelo conhecimento, em algum tempo terá que rever e reconhecer que não existem dois caminhos para que se torne, o Amor.


Paz e Luz!
Terry
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