Amor amor amor...

Amor amor amor...

As vezes confundimos amor com gentileza.
Podemos confundir gentileza com amor, mas não amor com gentileza.

A gentileza faz parte da personalidade de quem a demonstra e a tem dentro de si.

O amor nem sempre é gentil. O amor pode ser firme, duro, seco e ríspido se for necessário. Mas mesmo esse amor que procura fazer com que algo seja mudado de forma aparentemente mais dura, é gentil em seu modo interno de agir.

É como um Mestre que em determinado momento segura firme o discípulo pela mão e o coloca no seu lugar. Ele é duro, firme, mas é por amor a essência do coração de ambos. Ou como a mãe que vê o filho aprontando algo que o irá por em perigo, e puxa sua orelha, não o faz por maldade, mas sim por amor a essência interior.

Podemos amar centenas, milhões, infinitos seres ao mesmo tempo, mas nem sempre esse amor será igual, porque pode ser manifestado na personalidade da pessoa, em centenas de formas diferentes, e isso muitas vezes não é aceito ou compreendido pelas pessoas.

As vezes é perceptível quantos casais estão juntos pela gentileza, carinho, afeto ou desejo, mas que logo depois, quando sua personalidade vai expondo o inverso daquilo que se manifestou, perde o encanto e separam. Isso acontece porque ali estava a personalidade trabalhando, mas sem o amor do coração.

O amor verdadeiro vem do interior, do exterior, de tudo e todas as coisas. O amor está no ar, no vento, nas nuvens, fogo, água, terra, nos animais, nas plantas, humanos, não humanos... Ele está onde a energia vital está presente. E onde essa energia não está? Se Deus, o TAO, é tudo e todas as coisas, então tudo é amor, um amor puro e imaculado, infinito e imortal.

Mas manifestar esse amor requer unidade, corpo e mente limpos, coração aberto a trindade que se reúne além dos mistérios do céu e da terra.

Existe uma forma de amar a personalidade, mas é um amor temporal, um amor que normalmente é personificado pelo que acreditamos ser certo ou errado, é um falso amor, pois sempre encontra-se dual e passageiro. Não deixa de ser amor no conceito humano, mas como pode ser puro e verdadeiro se é passageiro? O TAO não é passageiro, não está presente em um momento e desaparece no outro.

Esse que dá e passa, é ilusório, é manifestado pela vontade e pelo desejo, pelo apego.

Mas tem aquele amor, há sim, aquele amor que não se explica, que vem e arrebata com energia fraterna.

Amor puro e simples, que funde o coração na essência do TAO, além do vazio, além do cheio, além do circulo e da espiral.

É um amor que pode ser compartilhado por todos os seres, sem medo, sem desejo ou apego, pois não dá e passa, sempre está, sempre é, nunca termina.

Amar alguém assim deixa a pessoa livre, sem a necessidade de guardar para si. Ambos são livres para viver, mas suas energias estão entrelaçadas, não pelo passado ou pela paixão temporal, não pelas leis dos homens, mas pelo fio do infinito que os liga nesse amor atemporal.

Não é preciso um relacionamento como namoro, casamento, irmandade, amizade, ou qualquer outra forma personificada para sentir esse amor. Pode abraçar com o coração todos os seres, todas as coisas, conectando pela sintonia interna aqueles que ressoam na mesma vibração, na mesma fonte do infinito.

Vejo e sinto que muitas vezes as pessoas, principalmente aquelas que já abriram ou estão a abrir o coração verdadeiro, acabam tendo um tipo de medo de manifestar esse amor. Tem medo de tocar o outro ser, de abraçar com o coração aberto, e perdem a oportunidade de vivenciar essa alegria, compartilhar com aqueles que estão na mesma sintonia, essa manifestação tão divina que é Ele em tudo o que é.

É compreensível esse medo, porque na cultura atual o amor é confundido apenas com relacionamentos humanos, medido por beijos, abraços, convivência e sexo. O Amor também está nestas coisas, mas de forma personificada, criada pela necessidade da experiência dual das pessoas.

Mas o amor que está além disso, não precisa necessariamente de relações físicas ou mentais, mas de um coração aberto para que a energia flua livre, sem filtros do ego, sem medo do ontem ou ansiedade pelo amanhã.

Beijar, abraçar, fazer amor, namorar, casar, ter filhos, tudo isso são formas do amor mostrar seus caminhos. Mas não deixam de serem caminhos para Ele.

O amor não se explica, por mais que tentemos em versos, poesias e nesse pequeno texto que tento escrever com humildade. Como tentar explicar o inexplicável? Como tentar descrever o indescritível?

Quando sentir amor verdadeiro por qualquer pessoa, seja uma ou dez mil, abrace com o coração e deixe manifestar esse amor. Não prenda por medo. É normal confundir amor com paixão, desejo, pois na Terra é a forma como ainda de forma temporal, as pessoas tendem a perceber o caminho para o amor.

Mas se o coração abriu, nem que por um segundo, e sente afinidade pela energia de outros corações, por outros seres, físicos ou não, deixe fluir, limpe a mente, e fundam-se na unidade.

Não é preciso ser casado, namorado... esse amor não pode trair, pois é como uma criança que se abraça na ternura, no seio da Mãe Divina.

A traição não é coisa de quem ama... trair é algo que expõe a confusão em que o coração ainda se encontra.

Há pureza no amor de uma criança, assim como há pureza no coração de quem desperta sua espiritualidade e pode sentir essa energia manifestar pelo coração, compartilhada até mesmo sem o toque. Mas mesmo com o toque, é um amor tão limpo que faz escorrer pelo rosto lágrimas cristalinas.

Como posso tentar descrever isso? Só restam lágrimas, porque essa energia flui, e é tão necessária a todos nós... são esses momentos em que o TAO se expressa, ainda que de forma humana, é perfeito e puro para os que vivem no coração verdadeiro.

Se permita amar, tudo e todas as coisas.

Abrir o coração para o amor vai muito além dos desejos físicos por afeto e carinho, por sexo ou companheirismo. Esses são aspectos temporais do amor.

Deixe ir, solte, liberte as camadas que impedem o coração verdadeiro de manifestar a unidade.

Compartilhemos com aqueles que sentem esse amor, a energia do TAO.

Abracemos física ou espiritualmente, e se pudermos, abracemos nos dois sentidos, deixando o calor e o frio elevar o vapor mais terno daqueles que são muito além de irmãos, muito além de casais, muito além de descrições, são partes da mesma e pura energia.

Sejamos o amor, abracemos a pedra, as plantas, os animais, os humanos, os espíritos, a luz e a escuridão. Abracemos o cheio e o vazio, o manifesto e imanifesto, até que tudo se dilua e não reste nada além da pureza do infinito.

Poderia passar horas escrevendo sobre o amor, mas como poderia descrever?

Para alguns tudo isso pode parecer utopia, um texto sem sentido... Outros podem achar que só Cristo pode sentir esse amor, ou que nada disso pode ser vivenciado pelo homem... O que posso dizer é que onde existe medo, dúvidas, descrédito dessa energia do TAO, as camadas cinzentas não deixam que a luz do coração flua, e então tudo isso realmente acaba um pouco distante, mesmo que esteja sempre presente na essência de tudo e todas as coisas. Mas quando liberta-se do julgamento, do apego e dos conceitos, aos poucos a divindade manifesta-se.

Vamos amar, só amar, sem mais ou menos. O mais e menos são duais, expressões do desejos. O amor não tem extremos, é sempre amor.

Há amor... amor amor amor...

Um abraço aqueles de coração aberto, na luz e além da luz, no TAO.

Paz e Luz!
Terry
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