Andando na luz

Silêncio profundo,

um ar sereno percorrendo o corpo,

olhos pesados fecham as cortinas,

toda a ilusão é desnuda no interior.

 

Percorro livre de amarras,

nos caminhos luminosos do infinito,

TAO profundo, omniverso,

verbalizando o doce cantar dos mantras.

 

Budas de indescritíveis cores sorriem,

translúcidos de corpo e mente,

inseparáveis em amor e compaixão,

curam pelo canto em todos os cantos,

trazendo alento e carinho a todos os seres.

 

Longe e tão perto,

como carregado pelo sopro do infinito,

pairo nas margem de um rio dourado,

suas águas tocam meus pés,

não existe nada físico aqui,

apenas som em forma de luz,

luz em forma de amor.

 

O cheiro no ar recorda memórias de sandalo e jasmim,

árvores de bronco esverdeado e folhas brancas como algodão,

parecem dançar pelo vale de flores,

fazendo fronteira entre os rios e os oceanos.

 

Pequenos arbustos de flores violeta,

algumas azuis, quase transparente,

e outras de um rosa, luz quase florescente,

todas cantam a musica da natureza,

embaladas pelo ritmo dos elementos,

tudo como um só amor da mãe natureza.

 

Ando mais um pouco, deixo o prana me levar,

chego perto de uma pequena montanha,

parece gelo seco, mas é puro cristal,

deles emanam raios de cores celestiais,

todos juntos apontam para as dez mil direções,

como tentando mostrar cada estrela de diamante sobre os céus boreais.

 

Indescritível sensação atravessa meu corpo desnudo,

preenchido pelas cores e sons deste lugar,

apenas me sento quieto,

deixo fluir todo esse êxtase em todos os meus corpos,

vendo com o coração sem forma,

chamas curadoras purificando todos os seres em prece e oração.

 

Neste profundo momento,

desfaço-me neste local,

como em uma grande respiração,

sou expirado de mim mesmo, conectado a todas as coisas,

cristais, plantas, seres muito além da descrição,

água, luz, som... faço parte,

mesmo que por momentos,

vejo o centro cristalino e reluzente deste local,

e seres pequenos, translúcidos,

outros tão grandes que parecem brincar com as estrelas celestais,

onde pequenas esferas vivas cintilam por toda parte,

das mais diversas formas geométricas,

brincando de criar,

como uma criança, que brinca com massa de argila.

 

Lá não existem lideres,

não existe medo ou qualquer sentimento,

a emoção é apenas parte da experiência,

mas o amor,

sim, é a própria essência,

a verdadeira fonte de Tudo O Que É...

 

Aos poucos relaxo e deixo acontecer,

aos poucos o sol entra pela janela,

abro os olhos e agradeço pela oportunidade,

pela experiência e também pela bela recepção, aqui,

nessa nossa grande mãe Terra, Urântia, Gaya...

Agradeço pelo sol entrar e presentear o dia,

pelos cinco elementos sagrados,

e por Ser,

seja como for...

 

Não existe ar para respirar,

alimento ou agua para beber...

quando viajamos pelas telas divinas de luz,

só é necessário o amor e compaixão,

o deixar fluir,

o amar sem desejar,

o ir sem se importar,

todo o conhecimento está dentro,

não é necessário procurar em outro lugar.

 

Fechar os olhos, meditar e amar,

esse é o caminho secreto para novas realidades,

muito além do que pode descrever em palavras,

em verso, ou poesia...

 

Por isso deixo estas palavras aqui,

apenas para compartilhar um pouco de amor,

um pouco de carinho com todos...

 

Deixe o Ser, ser, O Ser.

E que assim seja.

 

Om

Namastê,

Terry

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