Apego

Aquele dia em que via com apenas um olho,
olhei nos olhos da ilusão e não vi,
toquei o corpo sem textura,
senti o doce nem saborear,
ouvi vibrar sem som,
expirei o cheiro sem inspirar...

Mentalmente toquei o vazio,
preenchi o cheio,
completei o caminho,
entrei no centro dos cantos,
no espaço sem dimensões,
completa paz e harmonia,
regidos pela união do amor.

Sem apegar a nada,
compreendi o infinito...
quando existe o apego,
gera paixões,
paixões criam o perigo de viver na ilusão,
e novamente retornar para outros lugares,
vivenciando com o corpo,
qualquer que seja o desejo criado pela mente,
como um criança birrenta,
indisciplinada e brincalhona,
que nos prende e nos faz esquecer das verdades do Eu.

Desapegue de tudo,
quer seja vivo ou morto,
desapegue dos objetos,
quer sejam coloridos ou pálidos,
desapegue de paixões e emoções,
quer sejam pelos pais ou companheiros,
desapegue de si mesmo,
quer seja magro ou gordo,
desapegue dos sabores e dissabores,
doces ou amargos,
quando não existe apego,
tudo aquilo criado pelo criador,
pode ser experimentado,
por não existir mais apego,
existe liberdade de ir e vir,
em completa sintonia com a vontade maior,
aquEla que cria tudo.

Se você está completamente sintonizado com aquEle que cria tudo,
o que mais pode desejar que o faça apegar?

Não, não existe desejo algum,
apenas um vasto campo de flor-de-lótus,
onde os perfumes e frutos são consumidos,
pelo corpo sem corpo,
pelos sentidos unificados,
pelo prazer sem prazer,
o existir sem existência.

O que mais pode querer da criação?
Não queira nada criado,
unifique-se com o Criador,
faça da sua vontade a vontade dEle,
e tudo o que ontem ou amanhã poderia lhe amarrar as garras de maya,
serão com passa tempos da criança divina,
que brinca no Parque do Pai Celestial,
escutando os mantras da Mãe Divina,
de mãos dadas com a Criança Azul,
sem apego algum,
apenas ajudando com energias de amor,
a pulsar e vibrar o OM do mais puro branco,
sendo O Que É,
Aquilo Que Sempre Foi...

... Amor!

Om
Namastê,
Terry
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