Falando sobre Deus

Como seres humanizados, vivendo nessa era atual de tantas mudanças na Terra, é interessante observar o quanto o conceito sobre Deus é visto de formas tão variadas.

Antes de qualquer, se é que posso humildemente dizer assim, investigar a respeito, precisamos recordar a frase de amigo e sábio Lao Tzu, que diz "O TAO que pode ser dito, não é o verdadeiro TAO". Ele diz isso por um motivo bem simples, Deus não pode ser explicado ou mensurado, por nada nem ninguém, apenas se pode ter a percepção do que seria, um sentimento, ou certeza interna, algo que está em nós... como explicar isso, não é mesmo?

Mas sim, podemos investigar coisas, e principalmente refletir sobre como olhamos para o "céu", e para nós mesmos.

No Taoísmo mais antigo, assim como em outras tradições, Deus não é propriamente o TAO. Não vou entrar em aspectos religiosos, estou apenas mencionando o Taoísmo para exemplificar. Quando dizemos que Deus não é o TAO, é porque muitos entendem que Deus é o aspecto masculino do Universo, e a Mãe Divina o aspecto feminino. Então o TAO seria a própria Fonte Que Tudo É, e Deus e a Mãe Divina aspectos do TAO. Já nos dias atuais, até mesmo por conta de muitas religiões ocidentais, Deus se tornou o equivalente ao que seria TAO, para a maioria das pessoas, desde que este represente a Fonte Que Tudo É. Na espiritualidade, podemos usar esse termo, Fonte Que Tudo É, porque define, talvez, realmente o que é. Confuso? Apenas investigações para trabalharmos internamente.

Já para muitas pessoas, infelizmente, acreditam em um Deus no aspecto punitivo, como um tipo de velho barbudo que fica no céu esperando as pessoas morrerem para bater o martelo, dizendo quem vai para o paraíso e quem vai para o inferno. Esse quadro ilusório, a muito tempo, é vendido por certas religiões e seres que visam prender as pessoas a roda kharmica, locais estes que precisam de pessoas ajoelhando no milho e temendo a Deus, ao invés de ama-lo. Como pode uma pessoa temer a Deus, que é só amor? Isso é o que ensinam para muitas crianças, que se fizerem algo errado Deus irá castigar, e quando morrerem irão para esse tal de inferno.

Inferno não existe, o que existe é ressonância. Existem, e muitos, umbrais, que são o mais próximo de purgatórios e locais onde seres e pessoas que desencarnam, acabam indo devido ao magnetismo de suas almas, ou densidade ao qual se encontram. É a Lei Universal, semelhante atrai semelhante, e isso não tem haver com aspectos físicos ou religiosos, mas sim a essência interna, ao que mora no coração de cada um de nós. Se a pessoa leva uma vida a base de álcool e cigarros, drogas, prazeres desenfreados e coisas do tipo, quando morrer, devido aos apegos e vícios que ultrapassam o corpo físico, já que ficam enraizados na consciência, muitas vezes acabam depois da vida ainda tentando alimenta-los, e por ressonância a outros seres com as mesmas intenções, acabam virando espíritos famintos, sempre em busca do que acreditam ainda precisar, se tornando até mesmo, vampiros que ficam atrás de pessoas que também fazem uso de certas substâncias, para se alimentarem do plasma gerado por elas. Não é questão de bem ou mal, muitas dessas pessoas tem bondade interna, tem bom coração, mas sustentam em si energias muito densas. Isso vale para quem se faz de boa pessoa, mas por dentro está toda cheia de lama. Coisa estranha de refletir, mas é assim mesmo. Por exemplo, toda matéria física é formada por átomos e outras substâncias, que geram energia também no plano astral. Esse plasma, para exemplificar, no plano astral é utilizado por outros seres que encontram-se naquele plano. Então quando uma pessoa fuma um cigarro ou está bêbada além da conta, o plasma gerado atrai os seres mais densos do astral inferior, umbral, que buscam usar essa energia para seu proveito. Se isso é frequente, a pessoa acaba sendo um prato de comida para muitos seres ainda iludidos. Isso é inferno, a prisão da alma que muitas pessoas acabam criando devido aos apegos e vícios ao longo de uma, ou muitas existências. E tem como sair sim? Todos em algum momento irão sair disso, em vida ou depois de deixarem o corpo, basta elevar os pensamentos e permitir que os seres sutis os socorram, pois em essência, todos somos filhos do mesmo Pai/Mãe.

Deus é puro amor, não quer ninguém sofrendo, pois Ele, ou Ela, ou a Fonte, não é boa ou má. Para dizer que algo é bom ou ruim, é preciso existir dualidade, e esse é um fator pontual de alguns planos de existência e universos. Se pensarmos em todos os universos, multiversos e planos dimensionais que existem, o plano dual é apenas um grão de areia em meio a tudo isso. Então dizer que uma pessoa é má, é como dizer que Deus permite que a maldade exista apenas porque o mal é necessário. Investigando a respeito, é interessante verificar que o mal não existe, na verdade a maldade, o sofrimento, é simplesmente um fator que criamos usando as energias universais. Para ficar mais claro, imagine uma tomada 110 e outra 220 volts. Vamos dizer que a 110 é a voltagem mal, e a 220 voltagem boa. A energia flui de forma livre, não sabe como você irá utiliza-la, a energia está ali, pronta para ligar um aparelho. Se você vai ligar uma batedeira ou uma bomba, o que determina o uso é a consciência.

Mas se dizemos que Deus é tudo e todas as coisas, então podemos dizer que Deus também é a consciência, certo? Claro, a energia que forma e dá aspecto a isso que entendemos como consciência. Mas o que determinada os aspectos é a energia, no caso da dualidade, a polaridade, que utilizamos para gerar uma intenção, que irá mover essa energia para criar, manter ou destruir alguma coisa. É a intenção que molda e direciona a energia para onde a consciência está focando.

Deus é tudo e todas as coisas, mas a sua criação recebe dentre muitos planos, outorga para trabalhar com a energia, criar, manter e destruir coisas, desde planos ultra sutis, como planos muito densos. O que determina bem e mal e a forma como a energia é trabalhada pelas consciência, se assim podemos dizer, das criações da Fonte.

Podemos dizer que Deus criou, então, consciências más? Não, Deus criou energia livre, que ao longo dos éons entre idas e vindas, entre muitos cruzamentos, acabou se densificando ou sutilizando, de acordo com seus próprios experimentos. Não temos como abordar nessa simples investigação, os aspectos mais sutis das formações universais, mas sim apenas trabalhar esses pequenos pontos para reflexão e investigação.

Quando olhamos para o céu, vemos parte de um imenso universo. Para a ciência atual, que mal consegue vislumbrar esse universo, dizem que apenas 2% a 4% do universo é material, e que cerca de 96% ou 98% é energia escura. Na verdade esse universo é apenas um de muitos por ai, nesse vasto multiverso, ou como gosto de dizer, Omniverso. Não existe energia sem uso, apenas nossos olhos nessa era atual, entendem que o vazio do universo é escuro, mas não é. Não é mera coincidência que a mesma ciência diz que apenas 2% do DNA humano é utilizado, e que 98% é DNA lixo... pode isso, dizer que existe parte descartável? Tudo, tudo mesmo, tem utilidade e função, não é porque atualmente ainda existe muito a descobrir, que deve ser menosprezado ou descartado.

Voltando a Deus, quando olhamos uma pedra na rua ou no meio das matas, quando olhamos as estrelas no céu, o fogo, a água, ou ainda uma toalha na mesa, uma cadeira, lápis, os seres angelicais, ou até as criaturas grosseiras de outros planos, tudo isso faz parte de Deus, é Deus. Então quando dizemos que amamos nossos pais, esposa e marido, mas odiamos um bandido ou assassino, não aprendemos ainda o que é Deus, o que é amor verdadeiro. Entendo que é mais ou menos isso que Gautama Buddha, Cristo e outros tantos mestres sempre nos disseram. Como podemos amar apenas aquilo que acreditamos ser o correto? Correto para quem? Esse aspecto é muito interessante investigar, pois acreditamos que amor, que bondade, é algo que vem de nós e está nas coisas as quais nos identificamos.

Por exemplo, se você é casado e ama sua esposa, esse amor pode acabar caso ela lhe traia com outra pessoa. O amor virou ódio? De onde vem isso em nós? O que mudou dentro de nós que saiu de um extremo para o outro? A isso podemos atribuir o aspecto da energia, dualidade. Nossa intenção de acordo com o que acreditamos ser correto, direcionou a energia que estava ali, e transformou pela polaridade algo bom em ruim, em nós, e não nos outros, isso está dentro, e não fora.

Quando realmente nos tornarmos o amor que os mestres ensinam, não tem como odiar algo ou transformar o bom em ruim e o ruim em bom, pois o amor sendo algo puro, não pertence ao mundo dualista e tempestivo das mentes ainda tão caóticas. Claro, isso tudo é simples de escrever e investigar, mas difícil de aceitar e colar em ação nesse mundo tão polarizado por divergências e interesses.

Ao ver uma pessoa judiando de um cachorrinho na rua, logo o sangue sobe a cabeça e da uma vontade imensa de chutar a pessoa e resgatar o pobre animalzinho. Mas o que moveu essa pessoa a atuar de tão maldosa? O que existe dentro dessa pessoa que a tornou tão má? Isso não é psicologia, mas uma investigação do que devemos e podemos analisar em nós mesmos, o que vemos nas outras pessoas é reflexo do coletivo, é a busca insana por atenção, que muitas vezes explode como maldade. No universo somos energias em busca de experiências, mesclando entre os planos de evolução as energias que podemos trabalhar para algum fim. Mas qual o propósito disso? Se viemos da Fonte Que Tudo É, porque passar por tantas provações ou experiência para novamente voltarmos a Fonte? Essa sim é a grande questão, que cada um deve procurar dentro de si, ao longo da eras.

Doenças, sofrimentos, dores, prazeres, alegrias, isso tudo não é algo que Deus criou ou fez para gerar penitências ou simples condições aos seres, tudo isso é o que nós mesmos fazemos por interagir de forma equivocada ou parcial com a energia universal. Tudo no universo tem suas Leis Maiores para que exista uma ordem em meio ao caos. Não é questão de certo ou errado, mas de princípios, de meios para que tudo possa interagir. Podemos fazer de tudo, desde matar, roubar, assassinar, até ajudar as pessoas, curar, amar... mas tudo tem seu reflexo no universo, gera polaridade, ressoa com tudo e todas as coisas, e portanto, por gerar essa onda/energia pelo universo, tem sua resposta, tem seus efeitos. A isso dão o nome de kharma, ou seja, causa e efeito gerado por nossas ações, e de toda energia por todos os planos e universos. Não se pode tocar uma cordão de um violão sem que as demais reverberem.

Se usamos a energia de forma a evoluir, sem apegar aos aspectos duais mais densos, damos um grande passo para nosso próprio despertar. Orar, meditar, gerar compaixão e fraternidade, é uma forma de nos unirmos ao mesmo propósito, que em alguma instância, é amar e ser feliz.

Aqueles que estão em sofrimento, é porque se distanciaram do propósito maior das suas almas (dharma), e por inúmeros fatores criaram uma energia que os afasta da Fonte. Mesmo a Fonte sendo tudo e todas as coisas, ainda sim, permite que os seres criadores gerem a energia que buscam, mesmo que essa energia muitas vezes acabe os colocando em situações de levam tempo para sanarem em si mesmos. O tempo é mera ilusão, uma condição para um fim, e não o fim em si mesmo.

Deus não é algo distante de nós, não é algo somente no céu, é o que somos, é aquela chama quente perto do coração, mas também é tudo o que está ao redor. Se humildemente posso sugerir, quando orar a Deus, a Fonte, olhe para dentro de si mesmo, no centro do peito, e busque a chama que alimenta a vida, cada átomo, cada molécula, cada universo, estrela, planeta, galáxia, e tudo o que é. O que Cristo e tantos mestres nos trouxeram, foram caminhos para sairmos do sofrimento, para nos conectarmos a quem realmente somos, deixando para trás o que por algum motivo esquecemos ao longo de eras.

Sejamos, em nós mesmos, esse amor que tanto buscamos, em todas as coisas.

E voltamos a recordar, mesmo depois dessa pequena investigação... "O TAO que pode ser dito, não é o verdadeiro TAO".

Paz e Luz!
Terry
Comments