Falar de espiritualidade

Não adianta falar de espiritualidade, participar de grupos, orações, cantos, rezar o tempo todo, se na hora de vivenciar tudo isso não transparece no dia a dia aquilo que apenas fica na razão.

A humildade, compaixão e amor, são os atributos mais valiosos de um coração, e isso não se aprende em livros, palestras, grupos ou apenas orando, é preciso reconhecer dentro de si o amor. Todo o resto são apenas ferramentas do caminhar. Um grupo é um rio repleto de pequenas gotas, ajuda no caminhar, mas é preciso reconhecer dentro de si as virtudes do coração, sem esperar que esse reconhecimento sempre parta de fora. O caminho é de dentro para fora, do mais sutil dos fios dourados que tecem o silêncio dentro das vibrações, e irão formar o corpo dourado que flui sem obstáculos pelo cósmos.

Esse reconhecimento vem pela introspecção, da analise crítica dos atos e atitudes grosseiras, que precisam aos poucos serem lapidadas pelo fogo do amor e da paz. É com uma mudança gradual dos hábitos diários, que vamos aperfeiçoando de dentro para fora o que é necessário.

Na fé do amor, seja de forma religiosa ou não, já que religião não ajuda ninguém simplesmente se ajoelhando com o corpo mas sem abrir o coração ao TAO, a Deus, Oxalá, Cristo ou qualquer outro nome, quando nos postamos como discípulos do Mistério dos Mistérios, reconhecemos que tudo na vida, no "universo manifesto", se torna um meio de aperfeiçoamento interno.

Seja quando caminhamos na rua e encontramos um inseto na calçada, até quando temos a oportunidade de escutar grosserias tolas de alguém embriagado pelo ego, são meios de lapidar e verificar quem estamos nos tornando. É preciso pisar no inseto, ou apenas o deixamos seguir seu caminho? É preciso quando ofendidos pelo tolo embriagado revidar com mais grosserias, ou apenas escutamos sem nos deixar afetar e ater pelo mar de lama? Tudo o que surge no caminhar, quando observamos atentamente seus propósitos, são apenas luz em ação, mesmo os seres mais trevosos, são apenas partículas do caminho.

Mas um ponto de atenção é fundamental. Compassividade não tem fundamento na passividade e comodismo. Um ser compassivo também sabe a hora em que se faz necessário firmeza, desde que esta venha das virtudes e propósitos corretos. Não se deve permitir que a trevosidade imponha suas vontades sobre a luz da verdade, nesse momento é preciso levantar a espada da justiça divina e com habilidades da luz suprema, cortar o mal que opera pela imprudência daqueles que usam o poder do mistério para desvirtuar o caminho. Esse cortar não é feito com gritos ou vaidade, é silencioso e opera na mais profunda compaixão. Se corta o mal tão suavemente quanto uma pluma pousa sobre as folhas do bambu.

Em nenhum momento os seres iluminados disseram que a não-ação é não fazer. Observemos os seres iluminados, que no caminhar mostraram a todos através de seus atos, atitudes e ensinamentos, que a luz opera de maneiras misteriosas, e está dentro de todos os seres, mas sempre seguindo as Leis Superiores.

Aos seres, cabe aprender a respeitar e seguir as leis do céu e da terra, vivendo em harmonia com ambas, compreendendo a reconhecer e interagir harmoniosamente com o yin e yang, assim, elevando a energia, subindo ao manancial de luz acolhedora.

Através da meditação, e das virtudes do caminho, aos poucos vamos desenvolvendo algo que não se compra ou pode intelectualizar, e esse algo não se pode pronunciar ou tentar escrever mesmo em poesia, é algo que se conquista no íntimo do coração e aflora serenamente no silêncio da mente.

O mundo é reflexo, um holograma coletivo de muitos pensamentos, alguns harmoniosos outros grosseiros. É preciso verificar e aprender a não permitir que pensamentos improdutivos povoem a mente. Quando um pensamento inábil ou prejudicial surgir, substitua por um pensamento de amor e harmonia. Quando um pensamento produtivo e harmonioso surgir, aprender a multiplicar e transformar em ações de amor e compaixão. Quando em amor os pensamentos servirem de ferramentas e não mais dominarem a mente, então pode escutar o silêncio profundo de todo o Omniverso.

Que cada um possa tecer para si os fios suaves de um caminhar compassivo e amoroso, e que este seja abençoado pela harmonia e pela luz!


Paz e Luz!
Terry
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