Festa para dentro

Em um grande templo entre as pedras dos montes distantes, Mestre e discípulo conversam:

- (D): Mestre, faz anos que estou no templo, medito todos os dias, faço as praticas que manda, mas ainda sim não encontro a felicidade aqui, o que devo fazer?

- (M): Querido, enquanto você está aqui, onde está sua mente?

- (D): Mestre, minha mente as vezes vaga entre o passado e o futuro, penso nas festas, comidas e outras coisas que fiz no passado e as vezes, peco por sentir falta destes prazeres e pensar no que poderia fazer no futuro... Como faço para esquecer e não desejar mais os prazeres do corpo, para ser feliz como o senhor o é?

- (M): Não existe problema em recordar as coisas do passado ou futuro, mas se ainda não tem certeza do caminho e veio até aqui por renuncia em busca de prazeres, sinto muito, mas aqui só irá encontrar o amor divino.

- (D): Como assim Mestre??? É justamente este amor que busco, somente a Deus busco, por isso estou aqui!

- (M): Então deveria ser feliz por estar aqui e buscar Deus. Mas me disse que está infeliz e sente falta dos prazeres do corpo, quando não tiver mais o corpo somente terá a Deus, então porque ainda busca comer e beber para assim o satisfazer? O corpo é comandado pela mente, a qual você põe em ordem ou desordem de acordo com suas pré-disposições, com seus hábitos e pensamentos, se não sentir os desejos do corpo e guiar sua mente, então terá a paz necessária para buscar a Verdade.

- (D): Mas Mestre, como faço para suprimir estes desejos se não os quero ter?

- (M): Meu querido, saia daqui, volte para sua cidade e satisfaça-os todos se assim o quer e isso lhe fizer mais feliz do que aqui, então depois que os esquecer, volte. Suprimir são significa não desejar, mas vencer suas limitações dentro da mente, estar acima da mente. Se suprimir, volta de novo para vivenciar o desejo, porque não o satisfez e levou-o consigo, você precisa não o desejar, achar o auto controle e sua verdadeira natureza, pela pratica, paciência e persistência.

- (D): Mestre, deixei tudo para trás para buscar a verdade e o senhor me diz que devo ir embora e buscar lá fora? Não pode ser, o que fiz de tão errado assim? Por que não consigo ser como és, perfeito em sua tranqüilidade?

- (M): Querido discípulo, sua mente ainda sente falta dos prazeres da vida cotidiana, de beber muito, comer ainda mais, fazer sexo, trabalhar para comprar estes prazeres e assim nessa grande roda, girar incessante até descobrir que tudo isso está  em circulo. A sua mente ainda não foi dominada como um potro bravo que quer muito por costume do corpo. O corpo vicia-se facilmente a prazeres como comida e bebida, porque estes realmente são prazerosos, mas a mente é complexa, cria um vinculo com esses prazeres e com o tempo esquece de sua verdadeira natureza, sua inata condição calma e pacifica, para que possa ser usada correta e verdadeiramente...

- (D): Compreendo Mestre, sei que estou errado, mas ainda sim como faço para não cair nessa armadilha da roda?

- (M): Vou lhe dizer o que eu faço e não o que deve fazer. Eu amo a Deus acima de tudo.

- (D): Mestre, eu também amo a Deus acima de tudo!

- (M): Não, mesmo amando Deus como você o ama, ainda sente prazer em comer Deus em forma de carne, beber Deus em forma de vinho, sentir a carne de Deus em forma de sexo, comprar Deus em forma de panos... como pode amar a Deus acima de tudo e ainda sim sentir Deus longe de você? A verdadeira festa começa quando a mente acalma, quando não se deseja mas sim se sente. Deus está aqui agora, todos os prazeres são apenas densas formas e estados de vibração, ame a essência divina, o aspecto mais profundo que cria a tudo, então terá gozo infinito por apenas respirar, e mesmo quando parar de respirar saberá que sua morada é a natureza única do Ser dentro do próprio
Ser.

Eu amo a Deus porque Ele está dentro de mim, dEle vem tudo e tenho tudo que preciso nesse exato momento, nesse agora sou feliz e nada mais pode transcender ou ser melhor que O ter dentro de mim, qualquer outro aspecto são apenas transitórios, somente a essência não dita, onipresente, onisciente e onipotente são sentidas por meu coração, o amor que tenho não está nas coisas dadas por Ele, mas nEle.

Te amo como discípulo e vejo Deus em Ti todo o tempo, por isso disse para ir embora e ser feliz se assim desejar, porque o amo e quero sua felicidade.

Renunciar as coisas dadas pelo Pai não é a mesma coisa que não as ter ou usar, mas não as desejar acima dEle, mais do que a Ele mesmo.

Deus é a forma pura do amor infinito, eu amo a Deus acima de tudo, porque Ele só quer meu amor, o que mais posso querer além de amar a Deus?

O discípulo ouvindo estas palavras alcança o Satori.

Namastê,
Terry
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