Iluminação Silenciosa

Iluminação Silenciosa

    Silenciosa e serenamente, todas as palavras são esquecidas;

    Clara e vividamente, ela aparece diante de você.

    Quando é realizada, o tempo não tem limites;

    Quando é experienciada, seus arredores vêm à vida.

    Singularmente iluminadora é esta consciência brilhante,

    Cheia de maravilhas é a iluminação pura.

    A aparência da lua, um rio de estrelas,

    Pinheiros vestidos de neve, nuvens flutuando sobre os picos das montanhas.

    Na escuridão, resplandece com o brilho;

    Nas sombras, brilha com uma luz esplêndida.

    Como o sonho de um grou voando no espaço vazio,

    Como a água clara e calma de um lago de outono,

    Éons infinitos dissolvem-se no nada,

    Cada um indistinguível do outro.

    Nesta iluminação, todo esforço é esquecido;

    Onde esta maravilha existe?

    O brilho e a claridade dissipam a confusão

    Sobre o caminho da iluminação silenciosa,

    A origem do infinitesimal.

    Para penetrar o extremamente pequeno,

    Há a naveta de ouro sobre um tear de jade.

    Sujeito e objeto influenciam um ao outro;

    Luz e escuridão são mutuamente dependentes.

    Não há mente nem mundo sobre os quais confiar,

    Mas os dois interagem mutuamente.

    Beba o remédio das visões corretas;

    Bata no tambor sujo de veneno.

    Quando o silêncio e a iluminação estão completos,

    Matar e trazer à vida são escolhas que faço.

    Por último, através da porta, emerge-se;

    O fruto amadureceu sobre um galho.

    Apenas este silêncio é o ensinamento último;

    Apenas esta iluminação é a resposta universal.

    A resposta é sem esforço;

    O ensinamento não é escutado com os ouvidos.

    Através do universo, todas as coisas

    Emitem luz e falam o Dharma.

    Testemunhem umas às outras,

    Respondendo as perguntas umas das outras.

    Respondendo e testemunhando mutuamente,

    Respondendo em perfeita harmonia.

    Quando a iluminação é sem serenidade,

    Então distinções são vistas.

    Testemunhando e respondendo mutuamente,

    Dando surgimento a desarmonia.

    Se, dentro da serenidade, a iluminação for perdida,

    Tudo se tornará desperdiçador e secundário.

    Quando a iluminação silenciosa estiver completa,

    O lótus desabrochará, o sonhador despertará.

    Os cem rios fluem para o oceano,

    As mil montanhas encaram o pico mais elevado.

    Como o ganso que prefere leite a água,

    Como a abelha ocupada juntando pólen,

    Quando a iluminação silenciosa alcança o absoluto,

    Carrego a tradição original de minha escola.

    Esta prática é chamada iluminação silenciosa;

    Penetra desde o mais profundo até o mais elevado.

(Adaptado de Sheng-yen, The poetry of enlightenment: Poems by ancient Ch'an masters. Elmhurst: Dharma Drum Publications, 1987. Pág. 91-92.)
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