O que dizer?

Assim como o tempo é uma ilusão, tudo no tempo é transitório.
Abaixo do céu, acima da terra, o meio.
Acima do céu, abaixo da terra, os extremos.
As polaridades são ímãs que giram a roda.
O centro é vazio e cheio.
Centro não é vazio ou cheio.

A paz está no equilíbrio onde o tempo não se apresenta fora do agora.
A compaixão é o estado.
A harmonia o pais.
Aquele que não está, o mundo.

Nos dez mil caminhos, caminho.

Mesmo que tudo pereça no tempo, que os dez mil caminhos nas dez mil direções das dez mil luzes se fundam, o Amor não se dissolve.

Sem pertencer ao bem ou ao mal, o Amor é imutável.
Sem nenhuma qualidade não sutil ou sutil, o Amor não se apaga.
Mesmo que que felicidade do estado mais sutil seja plena no centro das dez mil verdades, o Amor não as detém para si.
No mais livre caminho luminoso ou no estado incompleto, não há o que o desfaça.

Sem ater-se a nada, ainda está.

Aquele que sabe sobre o Amor, não o sabe. E aquele que não o sabe, não pode saber sobre a sabedoria.

O desequilíbrio no caos transforma a ponte.
O transparente absorve até o outro lado.
Todos os sete se transformam em um, até que novamente o três surja em sete nos dez mil.

E o Amor ainda é, foi e será, sem nunca ter sido ou será, ainda é.

Que dizer então do Amor? Não se pode dizer.
Como então sentir o Amor? Não se pode sentir.
Então como conquistar o Amor? Não se pode conquistar.
Onde encontrar esse Amor? Não se pode encontrar.
Como se tornar o Amor? Não se pode tornar.
Então como retornar ao Amor? Não se pode retornar.
O que faz o Amor? Não pode fazer o Amor.
Quem é o Amor? Não pode o Amor ser algo.
Quem não é o Amor? Não se pode não ser o Amor.
Se não é nem será, onde está o Amor? Não pode estar em algum lugar o Amor.
Se não pode estar, o vazio é Amor? O Amor não pode ser o vazio.
Se não é o vazio, então é o cheio o Amor? O Amor não pode ser cheio.
Se não é cheio ou vazio, é o nada? O Amor não pode ser nada.
Se não é o nada, é o tudo o Amor? O Amor não pode ser o tudo.
Se não é, então não é o Amor? Se não é, não é Amor.
Então se não é, é o Amor? Se é, não é o Amor.

O que então pode-se dizer do Amor?

Não se pode dizer, sentir ou estar, o Amor que não é luz ou escuridão, não é bem ou mal, mesmo tão pleno de luz. Como posso eu descrever tamanho estado sem tamanho? Como posso eu descrever equilíbrio tão pleno de vazio? Como descrever algo tão sutil de harmonia, que não está em nada mas ao mesmo tempo está em tudo?

Como posso descrever algo tão imenso olhando para o centro de um grão de areia da mesma forma que o centro do universo?

Inútil tentar descrever algo assim!

Mas ainda, de alguma forma estranha, esse amor move os dez mil caminhos, ilumina todos os sete. Faz de um átomo todo o universo, semeia corações com as três verdades luminais, não se desfaz nem no mais oco dos seres!

Algo move alguns em uma direção e outros em outra direção. Não pede o que não pode ter, nem pede o que já é.

Para que perder tempo em descrever algo assim? Mas que tempo existe para perder? Ilusão!

Tentar mudar o mundo? Ilusão!
Tentar mudar a si mesmo? Mas como mudar algo tão mutável sem perder o centro?
Parando o caos da mente se para de sofrer, mas então o que é mutável?

O que mudar quando não se pode ser?
Para que ser algo quando se pode não ser?

O mistério dos mistérios não está!
O mistério dos mistérios não se é!
O mistério dos mistérios?

Para que tentar mais que isso em palavras se não se tem fim o que não se descreve?

Recolher dentro tudo o que está fora!
Por para fora tudo o que está dentro?
A roda gira.
O centro permanece.
Paz.

O Amor.

Paz e Luz!
Terry

*Dedico este pequeno "poema" que escrevi a todos os Imortais de Luz, no mais profundo e fraterno Amor.
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