O que viver para ver

O verdadeiro aroma no ar,

sobre o véu lúcido do despertar,

sentando com as pernas submersas no lago azul,

devaneios rondam sem lagrimejar,

o sábio permanece imóvel mesmo sem ar,

aquele que pensa estar sendo vigiado,

não tem duvidas quanto ao verdadeiro olhar.

Imutável sobre as mágicas místicas,

descobre que as luzes, cores e sons,

nunca foram mais que uma só energia,

sem tentar descrevê-las ou abordá-las,

apenas observa no seu próprio olhar,

com os olhos fechados vê a lucidez a criar,

sem julgamento ou distinção,

apenas amor pelo criar.

Não tem emoção sobre as partículas,

apenas sob a escuridão pode chorar,

porque na dor e na tristeza,

também advém o aprender do criar,

quando confundido dentro da própria criação,

aquele que criou pensar não estar a sonhar,

assim como aquele que sonha pensa estar vivendo o doce sabor,

não percebe que apenas se passa um segundo ao deitar,

no leito seu corpo dorme no respirar,

enquanto vagueia inconstante pelo pensar.

Imóvel lá permanece e reconhece,

aquele que medita não dorme no olhar,

vê fixo um ponto e entra sem pestanejar,

reconhece a si próprio como parte do próprio criar,

entra e sai dos sonhos lúcido e são,

vai muito além do que possa descrever ou dizer,

porque não tem mais inconstância no pensar,

medita uniforme e reconhece no sentar,

o próprio caminho quando caminhar,

ao levanta-se de seus trapos no chão,

não pisa na formiga nem mata o bezerro,

apenas acaricia a criança e rega o jardim,

uniforme na única verdade,

encontrou na caverna dentro do coração,

o verdadeiro vórtice para além de Shangrilá,

e mesmo lá,

sabe que nada mais importa,

que apenas o amar.

O sábio sabe,

que mesmo sabendo sobre tudo o que possa ser,

ainda sim não basta apenas saber ou compreender,

se dentro do saber não houver entender,

de que toda a força e intenção,

vem do verdadeiro coração,

aquele esculpido antes do primeiro verbo,

antes do próprio existir de um éon,

como o próprio amor indivisível,

sem mil fagulhas ou só um pensamento,

apenas o  momento de único amar,

agora.

Namastê,
Terry
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