Pais e filhos... do Amor

Existe uma cobrança insana por atenção.

Pais se sentem obrigados para com os filhos. Filhos se sentem obrigados para com os pais. Muita cobrança, muito desejo de atenção, muito apego pela necessidade e falta de auto realização espiritual em si.

Quando se tornam pais, sentem-se obrigados a criar da melhor maneira seus filhos, esquecendo que o amor é a única forma de crescimento. Sem amor, dinheiro, bens materiais, riquezas de todo tipo são apenas distrações para o EGO. A criança cresce agradecida pelo que recebeu de externo, mas o quanto essa gratidão torna-se amor não pelo comprado, mas pela "experiência" do amor divino? Quando as crianças aprendem a agradecer ao Deus interno no coração dos pais que os conecta como mesma essência infinita ou invés somente dos apegos sensoriais?

Os filhos quando veem os pais já idosos, sentem-se obrigados a cuida-los. É como se houvesse um débito, uma conta corrente de dar e receber. Onde está o amor nisso? Compaixão? Acho que não... na verdade um jogo de necessidades, já que amor não se cobra ou coloca sobre os ombros e costas uns dos outros.

É tolice acreditar que alguém é feliz sem saúde do corpo ou da mente. Quando se precisa de cuidado, é porque houve imprudência durante a vida. Ignorou-se o cultivo correto do amor no coração, profanando as portas do ser imortal temporariamente em corpo humano.

Tal pai tal filho? Acho que não... pois nenhum ser vivente nesse planeta tão belo é igual ao outro. Similaridades sim, mas dizer que os erros devem ser cultivados é desumano, é no mínimo confuso. Os filhos devem ser iguais aos pais? Nem pensar! Devem se tornar pelo menos melhores. E como? Evitando errar onde os mesmos erraram. E os pais deveriam olhar mais atentamente aos filhos, pois estes também tem muito a ensinar. Mas como os filhos e os pais podem aprender que existe um jogo de esconde esconde, uns evitando os erros dos outros porque ambos não se conhecem internamente? Esse jogo é improdutivo, tempestivo e só acaba quando acabam as obrigações e necessidades de dependência, incluindo atenção cobrada.

Não é o cultivo do erro que gera o acerto, mas a observação dos erros. Cultivar o erro é como criar erva daninha na mente. A erva vai crescer e se multiplicar em outros jardins. Estes jardins são os filhos, as crianças, que muitas vezes se espelham nos pais e nos mais velhos.

Obrigações não existem para quem ama. O Amor não é cultivado, não é obrigado ou imposto. Amor simplesmente unifica, completa sem nunca deixar o vazio cheio ou o cheio vazio.

Se a criança está doente, cultive o amor, ensine a disciplina do correto pensar e do correto agir, não o seu certo e errado, mas a observação do reflexo dos atos gerado na natureza. Se polui seu corpo, o corpo é desvitalizado, gerando doenças. Se polui o ar e a água, a natureza é desvitaliza e não fornece alimentos bons para o cultivo dos seus vivos. Se polui sua mente com pensamentos negativos, a paz e tranquilidade dão lugar a tristeza e medo. Cultive as práticas da meditação, do andar na natureza, colher os frutos frescos da árvore da terra e da vida. Criança não precisa somente de atenção, mas principalmente de amor.

Não importa os motivos karmicos ou dharmicos, o que importa é a centelha de luz divina que existe em ambos os corações que veem da mesma Fonte. Essa Fonte é Amor, e sem essa Fonte, há apenas necessidades, desejos e apegos pela insuficiência em verificar o amor dentro de si mesmo.

Ao envelhecer, se não tem saúde, gera obrigações de cuidados. A saúde se vai quando não se observa o amor. Ao desdenhar o amor dentro de si mesmo entrega-se aos prazeres sensoriais. Alimentação incorreta, cigarros, álcool, sexo desprovido de amor, falta de natureza, ar impuro, entre centenas de motivos, criam um corpo intoxicado e uma mente nebulosa. Tudo isso gera falta de saúde, e com isso, a necessidade de cuidados de outros. Assim o ciclo de obrigações se faz presente. O choro pela dor, o sofrimento pela morte.

A culpa pelo certo e pelo errado. Pais cobrando filhos, filhos se sentindo devedores com pais. Filhos cobrando pais, pais se sentindo devedores com os filhos. Porque? Porque faltou amor e respeito pela vida. Quando se esquece da espiritualidade dentro de cada um, esquece da Fonte de Amor que opera em tudo o que existe.

Quando se entrega a luxúria e todos os prazeres achando que o que fez está bom, entrega-se a própria alma feito pedra jogada em um poço sem fim. Atira-se para longe a possibilidade de libertar-se das amarras do EGO, dos desejos e prazeres que distanciam ainda mais do Amor interno. Até que verifique o Amor sem mais observar mas o Ser, tornar-se o Amor, nada supre senão um caminho de paz e luz para esse despertar.

Não importa a idade que tenhas, se dez, vinte, trinta ou setenta anos, o cultivo da sabedoria vem quando se verifica que obrigações são cultivos de erros, e que liberdade é cultivo da sabedoria que nos revela o Amor. Não deixe a idade ser justificativa para mudanças de hábitos. O cultivo da luz não começa ou termina com o tempo, está dentro e é imperecível.

Ao perceber que o Amor está dentro, e revela-se ao sábio que não despreza o caminho da verdade, aquele que aos poucos elimina as toxinas internas e externas que apodrecem o corpo e ferem a alma, cultiva então o correto pensar e correto agir, procurando meios de purificar o que está impuro.

Purificando o que está impuro, não gera necessidade de obrigações, pois pai e filho verificam o amor como união, não há cobrança.

A cobrança vem da insatisfação consigo mesmo. A necessidade de atenção vem da falta de atenção para com o Amor dentro de si mesmo. A necessidade de gerar vida e morte vem pelo desconhecimento do Amor.

O Amor apresenta-se pela gratidão. A gratidão abre portas infinitas as possibilidades de crescimento da alma.

Essa gratidão não é obrigação, mas uma possibilidade de transmutar o dever, o "ter que" em "sou grato por". Se existe sofrimento é porque existe impureza. Transmutando o impuro em puro, existe gratidão. Porque então não agradecer antes de receber? Se agradece e envia a mensagem de pureza ao universo, o que ainda não se realizou torna-se desde já real, pois foi concebido como puro.

Não confundir gratidão com obrigação. A gratidão vem do coração, a obrigação da necessidade de agir. Ação e inação devem ser percebidas corretamente. A ação gera reação. A inação é parada de ação, não gera ação ou reação, o ato de não agir perante algo. A não-ação é perfeita, pois gera o que se faz necessário sem ação ou inação. Não-ação é verificar a pureza do vazio no cheio e do cheio no vazio, sem ainda sim possuir qualquer coisa, torna-se todas as coisas, pois o Amor está e é.

Quando o pai cultiva no filho a centelha do TAO e não de si mesmo, verifica-se em ambos o Amor. Quando o pai cultiva no filho os seus próprios desejos e necessidades, verifica-se o reflexo do EGO. A operação deve ser feita em ambos. Pai deve purificar corpo e mente, e filhos deve realizar a sabedoria do caminho do correto pensar e agir. Ambos são puros enquanto centelha de luz, mas impuros enquanto desejo e apego. Sem obrigação mas gratidão, o amor pode transmutar o impuro em puro, existe assim, paz.

Porque evitar o amor? Porque deixar todas as toxinas se apossarem da mente de tal forma que o corpo perece sem saúde? Porque então esperar tanto dos outros se tu mesmo não faz por onde? Obrigações?

Cultive o que é correto para que não exista desnutrição do coração compassivo. A compaixão consigo é a virtude que deve primeiro cobrar de si mesmo, e não de outros. Se não é compassivo para com teu próprio corpo, para com tua saúde e mente, o que esperar de outros.

Não há mérito na compaixão gerada pela obrigação. Não há mérito em destruir o céu ou a terra em beneficio próprio. O caminho não é feito apenas para um caminhar, mas para o Amor em todos.

Cultivando o correto pensar e o correto agir, age sem agir e pensa sem pensar.
Cultivando o não pensar, transcende os próprios desejos e apegos.
Transcendendo o os desejos e apegos, não existem mais obrigações.
Sem obrigações, não existem pais e filhos.
Sem pais e filhos, existem apenas amigos de Senda.
Sendo amigos de Senda, o aprendizado é uniforme.
Sendo uniforme o aprendizado, ambos são iluminados.

Criar o humano pelas necessidades do "ter" do invés do "ser", é criar sementes em terras tóxicas. Pobre daqueles que vem no "ter" o que acham "ser" o Ser.
Esquecer dos mais velhos pela ingratidão do ser, entregando seus corpos e mentes ao tempo do esquecimento, é fruto da obrigação futura para consigo mesmo. Aquele que não vê o amor no coração do outro, ignora o amor em si mesmo.

Ambos, pai e filho devem fundi-se não como ser humano, mas como aprendizados de almas amorosas. Não fundir-se como pai e filho que nasceram da semente da vida, mas como centelhas que transcenderam a morte de tudo aquilo que ontem era obrigação e karma.

O dharma de hoje é o cultivo da vivente luz imaculada que reside em todos os seres.
Verificando dentro de si essa luz, torna-se possível a não-ação.

Seja um pai compassivo com seus filhos. Torna-se um filho compassivo com seus pais. Mas que ambos nunca sejam obrigados a verificar um no outro as cobranças pelo que suas próprias ações geraram em seus corpos e mentes. Cuidem-se sem nunca se olharem como pai e filho, assim não terão obrigação, mas compaixão porque veem-se como partes do mesmo infinito Amor.

Verificando-se como partes do mesmo Amor, pai e filho são apenas sementes da Terra e do Céu. Todos os seres humanos e não humanos serão assim pais e filhos do Espírito Santo.

Sem distinção da semente que gerou, a centelha torna-se a semente.
Verificando a centelha como semente, reconhece verdadeiramente o Pai.
Ao conhecer o Pai, descobre a Mãe de todas as coisas.
Quando deixa de ser somente filho, torna-se o Avó.
Ao conhecer o Avó, verifica-se a sabedoria.
Tornando-se sábio, nasce com oitenta anos e não mais perece na morte.
Não perecendo na morte, torna-se puro feito criança, sem nunca perder o saber.

Assim, torna-se Pai, Mãe e Filho em todas as coisas.

Paz e Luz!
Terry
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