Parece que foi ontem

Parece que foi ontem,

quando deixei as portas abertas e a abelha voou,

batendo suas asas sob o manto azul,

pairando no ar procurando o néctar das flores.

Parece que foi ontem,

quando não via o tempo correr,

andava pelas ruas em busca do saber,

sem ao menos saber que nada sabia,

sobre o recordar pelo próprio reconhecer.

Parece que foi ontem,

quando olhei para o céu e vi uma nuvem,

branca como a algodão recém nascido,

cortada por infinitos pontos brancos como arroz colhido,

escrevendo no na imensidão azul,

uma vogal dentro do oceano no infinito omniverso.

Parece que foi ontem,

quando senti saudades dos que partiram,

saudades que virou busca pelo desconhecido,

até que a saudades dos que foram virou saudades dos que deixei,

apenas a saudades da própria experiência,

partilhada em muitas eras com varias cenas,

no drama divino do despertar interior.

Parece que foi ontem,

quando escutei o toque agudo do sino,

o tempo parou e eu parei por um segundo,

onde dentro de mim a viagem foi longa,

passando por planetas e dimensões de outrora,

relembrando dos que são irmãos de todas as horas,

mesmo que lá o tempo apenas seja ilusão.

Parece que foi ontem,

quando escrevi as primeiras linhas,

inspirado pelo contentamento do amor,

aquele amor que só se sente quando se compreende,

que nada importa no passado ou futuro,

apenas viver a harmonia do agora,

no puro e simples sentir do coração,

flutuando pelo mar reluzente da mais pura luz cristalina,

desprendido de qualquer amarra,

deixando no agora apenas o desejo de amar,

a tudo o que é como Ele é,

e sempre será.

Parece que foi ontem,

quando deparei com minha face em outra face,

reconheci a mim mesmo em outro corpo,

vi que eu também estava em varias moradas,

vivendo esse agora em múltiplas realidades,

das mais sutis até as mais belas floradas de lótus,

vistas nos olhos verdes da amada divina,

que na vontade de aprender,

desceu sob forma de mulher,

unindo sua fonte colorida,

a minha fonte colorida.

Parece que foi ontem,

quando o Mestre abriu as portas,

disse sussurrando as palavras que não se escrevem,

transmitindo ondas de compaixão,

Om do saber além da ilusão,

mostrando que para ser o Ser,

nada mais importa que o reconhecer,

o mais profundo conhecer da humildade e compaixão,

daquele que sabe que o ser está em todos os seres,

assim como em tudo e em todos,

sendo tudo o que é, o ser em tudo.

Parece que foi ontem,

quando parei e meditei,

compreendi que não existe força bruta no corpo,

não existe força onde existe vontade,

se existe a vontade de aprender sobre a ser,

seja este na forma que for,

a intenção impera e a mente opera,

regido pelo ser que habita o coração de luz,

então o ego lá de baixo se acalma,

dando espaço para que brilhes a luz cristalina,

e flua, sim flua mais uma vez o Om como Om,

a luz como luz,

o amor como amor.

Parece que foi ontem,

mas foi agora,

porque ontem está lá como ontem,

amanhã está lá como amanhã,

não existe tempo ou espaço a correr,

sua vida de ontem continua a existir no ontem,

sua vida de amanhã continua a existir no amanhã,

não existe movimento, ação ou reação,

apenas a possibilidade de viver um agora,

este agora presente em todos os presentes,

em todas as dimensões,

em todo ser.

O lado positivo e negativo se alinham no centro,

o yin e yang deixam de existir,

existe apenas um grande e completo vazio,

o branco de luz absorve todos os caminhos,

passa a existir por si mesmo,

o saber e compreender não existem,

tudo é o que é,

tudo está dentro do TAO,

o TAO é a própria e única compreensão de si mesmo,

aquele que lê e compreende,

sabe o que é,

e ama a todos e a tudo,

não exerce força sobre os seres,

não impõe ou julga outros saberes,

apenas vive o agora em harmonia,

porque vive o próprio TAO,

como Deus vivo em si mesmo.

Om
Namastê,
Terry
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