Quatro pilares e a mente

*Obs.: Para aqueles que preferem, no final tem este texto em video.
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Por que ter mente, se a mente diferente, mente.

Por que se apegar tanto a desejos, se os desejos mentem.
Por que submeter-se a palavras feias ou bonitas, se ambas mentem.

A mente é poderosa, uma ferramenta de profundo conhecimento.
Quando aprendemos a elevar a energia aquietando a mente, o céu fica limpo e as nuvens dispersam.

Quando embriagados pelos sentidos e sentimentos, a mente é como uma criança birrenta, gritando por atenção.

A mente tem seus padrões, pode-se refletir sobre quatro pilares básicos:

Mente = Preocupação = Desejo = Inquietação

Estes quatro pilares criam uma forma de vida na ilusão.

Apesar de simples não devem ser ignorados, precisam ser compreendidos para que se eleve a energia.

A mente pode ser dividida em dois centros básicas:

Mente superior = Mente sem pensamentos, corpo mental superior

Mente inferior = Mente repleta de pensamentos, corpo mental inferior

Ambos são apenas instrumentos da energia, as palavras superior e inferior são apenas rótulos para que possamos refletir sobre os pilares que fazem a roda de samsara girar. Esteja no corpo inferior ou superior, ambos devem ser transcendidos.

Quando a mente está completamente vazia de qualquer referencia pelos dez mil caminhos, seja com olhos fechados ou abertos, o espirito se estabelece e então a mente volta a compreender sua real virtude.

Sobre o corpo está a mente, sobre a mente está o espirito, acima e abaixo de ambos infinitas possibilidades. Não é necessário pensar muito sobre isso, apenas compreender o vazio primordial, aquietar a mente e descansar no gozo da paz.

Krishna ensinou como retornar a essência primordial pelo amor.
Cristo ensinou como retornar a essência primordial pela compaixão.
Buddha ensinou como retornar a essência primordial pelo equilíbrio.

Ambos ensinaram, muitos outros Mestres ensinaram como recordar sua essência primordial, e todos de uma forma ou outra mostraram que o verdadeiro ensinamento está baseado no amor, na compaixão e no equilíbrio.

No Zen ou Ch’an, dizemos que esvaziar a mente é essencial, esse esvaziar acontece quando estamos consciente de nós mesmos, compreendendo, aceitando e superando os próprios limites, nos tornamos vazios e completamente livres. Esse caminho não é fácil nem difícil, é apenas um caminho entre muitos.

Quando a mente está repleta de pensamentos, no inicio não é interessante procurar esvaziar a mente, se você não recorda como a mente é sem pensamentos, precisa percorrer o caminho para encontrar o deserto pacifico da paz.

Muitos confundem o não pensamento com ausência de pensamento. O pensar é natural, o não pensar é ainda mais natural, deve ser natural. Observar os pensamentos é uma virtude, observar o espaço entre cada pensamento é uma grande virtude, ater-se a pensamentos é cair na ilusão.

*Primeiro reconheça que pensa sem controle sobre seus pensamentos.
*Depois reconheça que existe uma forma que cria estes pensamentos por um motivo.
*Aprenda a focar em apenas um pensamento por vez.
*Reconheça que mesmo com esforço repetitivo precisa contemplar a mente no presente (no agora).
*Quando um pensamento passar, não se apegue a este pensamento.
*Não havendo pensamentos, ou havendo pensamentos, procure o espaço vazio entre um e outro.
*Encontrando o espaço vazio, permaneça o quando puder neste estado.
*Estando no estado do não pensamento, não se preocupe se está no não pensamento.

Aceitando estes oito caminhos como um inicio, vai descobrir talvez outros 64 ou mais caminhos dentro de cada caminho.

Cada um tem seus próprios pensamentos, e cada pensamento é uma forma de energia controlada ou não controlada.

Sem controle, pensamentos são como balas de festim, ou arroz jogado sobre a lama, não produzem beneficio aos seres.

Quando manifesta-se o pensamento consciente, agindo através da mente, a forma pensamento é benéfica a todos os seres.

Grandes Mestres ensinam sobre os caminhos para a meditação última, o grande nirvana, o samadhi, a unificação última com a Fonte Que Tudo É, Deus, ou o nome como queira dar.

Todos os métodos e caminhos, realizados com disciplina, são perfeitos. Basta identificar-se com seu método e segui-lo até chegar.

Seja pelo ritmo da respiração, girando na roda de samsara, em uma meditação de seis anos, fazendo tai chi chuan, yoga, rezando, orando, contemplando o céu e as estrelas, praticando Chi Kung, Cura, ajudando com compaixão quem precisa... esteja consciente do proposito e respeite o momento de cada um. Não procure ser diferente, nem ser igual aos outros, procure o motivo que cria ambos os extremos, descubra dentro quem é o Mestre, quem você é.

O maior beneficio de qualquer prática, antes de tudo é conhecer você, conhecendo-se internamente e profundamente, conhecerá tudo o que é necessário sobre outros.

Refletindo sobre os quatro pilares básicos, seguindo os oito caminhos ou simplesmente reconhecendo a essência por trás da ilusão, podemos compartilhar:

Mente = Preocupação.
Quando estamos preocupados, criamos um cenário interno divergente da nossa essência básica. Neste cenário procuramos formas de suprir o espaço vazio com outras formas, sejam materiais ou imateriais, então surge o desejo.

Preocupação = Desejo.
Este surge devido ao cenário que criamos, aquele espaço vazio sem sentido porque esquecemos nossa essência, o desejo encontra ferramentas para preencher, através da alimentação impropria, do sexo sem maturidade espiritual (desperdício de energia essencial), dos sentidos descontrolados (tato, visão, audição, olfato e paladar), entre outros, gera a inquietação.

Desejo = Inquietação.
Quando tentamos suprir pelo desejo esse espaço não compreendido, então todos os corpos básicos (físico, astral, ego inferior, mental inferior...), seja qual nome dê a estes entre outros, entram em colapso porque estão fora da frequência harmônica.

Todos estes fatores básicos são as causas comuns das enfermidades físicas e mentais, das brigas, embriagues do corpo e das palavras, do ódio, raiva, angustia... e tantos outros sintomas que aprendemos a nos acostumar, já que a soma dos quatro pilares alimentam o APEGO, e o apego faz com que volte a repetir uma e outra vez o mesmo ato, até que volte um dia ao equilíbrio e compreenda por um dos caminhos, quem és realmente e como retornar e recordar sua essência básica divina.

Poderíamos dizer que:

ÓDIO é contrario ao AMOR (PAIXÃO)
RAIVA contrária a FELICIDADE
RANCOR contrário a COMPAIXÃO
ANGUSTIA contrária a CALMA

Pode-se citar muitas palavras, todas contrárias a PAZ.
Estando em um dos dois extremos, é difícil centra-se e esvaziar.

Quando usamos a palavra AMOR, manifestar em palavra não condiz com a essência, já que a forma última do amor não tem manifestação, por si mesma é a própria verdade, Deus, o TAO. Então não confunda amor com PAIXÃO, a paixão, assim como as folhas que caem no outono, passa com o tempo, sobrando uma arvore seca e opaca... compreenda, no amor, não existe nada além de PAZ DIVINA.

Buddha fala sobre o caminho do meio, sobre o equilíbrio, o vazio da mente. Cristo fala sobre o amor, a cura, a doação sem apego ao fruto. Lao-Tsé fala sobre não fazer, estar presente e consciente da natural essencia.

Cristo meditou, Buddha meditou, Lao-Tsé meditou, Krishna meditou... seja qual caminho escolha para sua jornada, tenha certeza que você vai chegar e vai descobrir, depende somente de você quando será.

O tempo passa, vidas e vidas passam. Inúmeros são seus lares, seja neste orbe ou outros, seja neste corpo físico ou outro. Seja no astral, no mental, no causal... seja onde for, esvazie de qualquer desejo, de qualquer apego, de qualquer coisas, e então apenas seja quem tu és além dos extremos. Exatamente no centro, completamente vazio ou completamente cheio.

Se acha que sabe, ou procura saber, não sabe, quando souber não terá duvidas, apenas saberá.

Dois Mestres quando se encontram, são puro silêncio, nada tem a dizer um ao outro, ambos sabem e compartilham. Sem dizer uma só palavra, se completam na profunda paz interior.


Na Paz e na Luz!
Om
Terry



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