Quem é mestre?


*Quem for criticar o que está escrito, por gentileza, antes leia até o fim. Emoticon smile

Mestre que é mestre não precisa de títulos, não precisa de nomeações ou idolatria.

Infelizmente na atualidade vemos por ai centenas de pessoas se auto intitulando mestre disso, mestre daquilo, sem nem ao menos sentir dentro de si o que isso significa.

Mestre é o mesmo que professor. Qualquer um que tenha um alto nível de formação e conhecimento em alguma coisa, é Mestre nesse algo. Existem mestres cozinheiros, mestres de artes marciais, mestres de aulas (professores), enfim, acho que isso é claro para todos.

A questão que gostaria com humildade de comentar, é sobre os ditos "mestres espiritualistas". Na Índia e em alguns outros países orientais, culturalmente é normal usarem o termo mestre e guru, isso faz parte da cultura destas localidades, mas aqui no Brasil e em outros países ocidentais, infelizmente Mestre e Guru virou sinônimo de venda de cursos, passes milagrosos e terapias de todo tipo. É triste isso, pessoas se auto intitulando mestres de reiki, mestre de cura, mestre disso e daquilo. Se está certo ou errado não sei, usando ao pé da letra a palavra mestre, não estão errados, mas dizer que é mestre de algo que não pertence a pessoa, acho no mínimo estranho. Como alguém pode ser mestre da energia universal? Reiki significa "energia vital universal", ou "energia do universo", ou "energia de Deus", entre outros termos. Então, como alguém pode ser Mestre nisso ou disso?

Tudo bem, a pessoa fez cursos, se esforçou, aprendeu a manipular ou utilizar a energia, então ela pode ser considerada mestre, mas será que alguém pode ser realmente mestre sobre a energia de Deus?

Não é uma critica, já que esse termo acabou sendo utilizado de tal forma que é quase impossível mudarmos essa situação. O que gostaria de refletir é sobre o uso disso atualmente. O que observo por ai são pessoas, não todas claro, tem muita gente séria, mas algumas usando títulos para vender espiritualidade, e isso é muito, muito estranho. Se dizem Mestre de Cura, e devido ao titulo que se auto nomearam ou que alguém lhes deu através de um certificado, saem por ai se colocando em um pedestal iludindo as pessoas.

Mestre que é mestre não precisa disso. Vamos ver os exemplos da humanidade. Jesus Cristo alguma vez disse para alguém que ele era mestre de alguma coisa? Gautama Buddha disse para alguém em algum momento que era mestre do caminho? Lao Tsé ou Confúcio se auto intitularam sábios e mestres? Chico Xavier, exemplo mais atual, disse alguma vez que era Mestre de Cura ou Mestre Espiritual? E olha que eles poderiam dizer isso, e até muito mais, pois não eram só Mestres ou Gurus, eram a própria manifestação da energia divina em ação consciente. Mas não, eles nunca disseram, pelo contrário, faziam o que faziam de forma humilde e demonstrando através de atos sua espiritualidade.

Claro, temos o querido Paramahansa Yogananda e outros Mestres e Gurus indianos, que acabaram adotando esse nome justamente pelo que mencionei no início, eles tem essa cultura nos seus países de origem. Alguns deles quando vieram ao ocidente ensinar, devido a sua origem, as pessoas do ocidente os nomearam como Mestres e Gurus, mas eles mesmos não carregavam títulos ou precisava disso, muito pelo contrário, o que faziam era por amor e para que as pessoas tivessem oportunidade de despertar. Ensinavam, e ensinam ainda, curavam, entre outras coisas, mas por amor e não por fama ou apego a seus méritos.

Volto a dizer, não estou criticando quem se intitula mestre disso ou daquilo, mas acho que vender espiritualidade é algo nada saudável para a alma. Quer dizer que se a pessoa é mestre de cura é melhor do que uma benzedeira simples da roça que mal tem estudo mas carrega em si a mesma energia de Deus para ajudar as pessoas? Quer dizer que se alguém se diz mestre da técnica de cura é melhor que um preto velho que incorpora no médium descalço e ajuda centenas de pessoas? Ou melhor que alguém que não tem certificado de Master não sei de que mas simplesmente manifesta a energia de Deus nas ações do dia a dia, ajudando animais carentes, sendo gentil com as pessoas, e ajudando a si mesmo?

A questão não são os títulos (apesar de serem importantes para a sociedade atual), mas a forma como a própria pessoa que o detém se coloca para as outras pessoas. Acho muito interessante e bom fazer cursos, ganhar certificados, até se tornar realmente um Mestre, isso é bom, é sinal que a pessoa está se desenvolvendo, está interessada e galgando bom desempenho. Mas demonstremos toda essa espiritualidade em ações, e não vendendo ou pregando para as pessoas algum tipo de "superioridade" por conta de títulos. Isso vai contra a própria energia do TAO, que é livre e se manifesta no amor.

A energia de Deus não pode ser retira no coração de quem carrega egoísmo, vaidade, orgulho, ou pior, manifestada pelas mãos ou mente de pessoas que se vendem por fama e dinheiro.

Claro que não há mal em atender pessoas com métodos de cura e cobrar por isso, se for um terapeuta e esse for o meio de sustentação da pessoa, não existe mal nisso, lembrando sempre da lei da salva, ou pelo menos que parte dessa energia deve também circular para a caridade, ajudando pessoas que não tem condições financeiras. No budismo, taoismo, entre outras, aprendi que o circulo (samsara) contém a caridade e compaixão dentro de si, ou seja, a doação feita de bom coração e com boa vontade, faz parte da vida. Não doar por doar, mas porque nesse mundo existem muitos sofrimentos, não somente físico, mas também mental. As vezes doar um pouco do tempo para dar um abraço ou um sorriso pode mudar a vida de outra pessoa. Doação não somente em bens materiais, mas principalmente em bondade e gentileza. O verdadeiro "amar ao próximo como a si mesmo". Quão difícil é isso hoje em dia né!

Façamos cursos, ganhemos certificados, realmente nos tornemos um Mestre. Mas guardemos os títulos para bate papo, conversas entre amigos que trocam conhecimentos, para apenas mencionar o que realmente estudamos e aprendemos. Mas acho interessante evitarmos usar como uma forma de superioridade, como se por possuir títulos fôssemos melhor que outros.

Um dos maiores exemplos que tive na vida foi de uma benzedeira que conheci quando era criança. Era uma senhora de uns 70 anos eu acho. Pobre, simples, humilde, mas com tamanho amor que curava centenas de pessoas com orações e benzas. O que ela pedia em troca? Nada, mas dizia as vezes: "Há fio, se quiser pode deixar um pedacinho de queijo quando puder"... quando alguém realmente queria dar algo a ela, pedia um pedaço de queijo ou alimento, que cansei de ver ela dando a outras pessoas pouco tempo depois. Chamava-se Dona Badia, e tenho profundo respeito por ela. Provavelmente mal sabia ler ou escrever, muito menos que existia reiki ou métodos de curas, ela simplesmente tinha amor pelas pessoas, e por esse amor, manifestava a cura.

O amor de um coração verdadeiramente compassivo manifesta a cura pelo olhar, pelo toque, pelos pensamentos, na mente, no corpo e na alma. Independente de quantos cursos ou métodos aprendamos, com o coração fechado o máximo que fazemos é manipular a energia de um lado para o outro, mas para que ela seja realmente "viva" através de nós, precisamos amar ao próximo e a nós mesmos, respeitar a natureza interna e externa, e observar o céu e a terra com a mente compassiva.

Vamos aprendendo nos cursos, aproveitando ao máximo tudo o que aprendemos, tanto das coisas da matéria quanto da espiritualidade. Mas também vamos retirado esses títulos e formas de vaidade, nos colocando sempre como facilitadores de cura, facilitadores da harmonia, harmonizadores da energia. Se dermos aulas, que sejamos professores e não mestres, a própria palavra professor, no Brasil, é menos valorizada que mestre. É estranho isso né, professor que significa mestre tem uma conotação inferior, muito estranho! Enquanto existir vaidade e idolatria, buscando envergar o ego com renome e superioridade, o máximo que ganhamos é dinheiro, mas perdemos a real manifestação do amor através dos dons que Deus nos dá sem nada cobrar em troca, porque o amor é livre, está disponível para tudo e todos.

Façamos nossa yoga, qigong, tai chi, cura prânica, quântica, reiki, etc, mas tudo isso com amor, bondade e principalmente para nosso próprio desenvolvimento interno.

Cobrar por aulas é mais que necessário e devido, principalmente no ocidente onde a maioria das pessoas só dá valor ao que paga. É preciso sim essa energia de troca, mas sem inflarmos nosso ego né!

Quando escrevo essas coisas normalmente recebo críticas. Mas peço por gentileza que aqueles que se sentiram ofendidos de alguma forma, não estou tirando o mérito dos títulos de mestres, muito pelo contrário, tenho respeito e admiração por aqueles que realmente conquistaram a mestria. Esse texto escrevi porque foi necessário para que algumas pessoas entendam e reflitam sobre o assunto, e não para criticar quem realmente é mestre.

Mestre que é mestre manifesta o amor e compaixão, e não irá se importar com esse pequeno comentário que fiz, pois saberá que é na mais pura humildade e bondade que discorro sobre isso, na simples intenção de alertar aqueles que buscam meios de cura e aprendizado, mas que muitas vezes caem nas mãos de charlatões e falsos mestres que além de não os curar ou ensinar, acabam prejudicando as pessoas com energias deletérias.

Fiquem bem e em paz.



Paz e Luz!
Terry
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