Sem corpos...

Eu quero ficar pelado;
Andar pelas matas sentindo a terra fofa;
Olhar para o céu estrelado;
Sentar na beira da fogueira, enquanto o sol se põe no horizonte.

Quero olhar para os homens e mulheres sem julgamento;
Seus corpos despidos de maldade;
Onde a energia pulsa viva e pura;
E a luz se manifesta no peito despido;
Criando um circulo de dez mil pétalas douradas.

O tempo é sem tempo;
A vida flutuante;
Morte apenas troca de roupa;
Aquele que vem, vai;
E o que veio, semeou.

O tronco da árvore de sete nós;
É feita de cristais translúcidos;
Cada um, uma porta de luz;
Convidando as descobertas dos universos;
Como resistir ao chamado do silêncio?

O corpo está para cair;
A terra recolhe o que sobra;
Semente por semente germina na montanha;
A luz do sol alimenta a vida;
Enquanto despido flutuo no vazio.

Há, tempos do não tempo!
Quanto tempo há de ter para esperar?

As folhas da figueira caem uma a uma;
O vento sopra longe as pétalas da lótus;
A minhoca caminha sem medo do pássaro.

Olhando para a fogueira;
Vejo centenas de fagulhas pulsando;
São como almas do fogo.

Há espírito,
Corro sem roupas pelo vazio;
Sou um nada completo de tudo;
No todo sem nada a dizer;
O silêncio encanta até mesmo o poeta do tempo.

Deixo cair no canto a última lágrima;
O rio leva para longe a barca temporal;
Enquanto o mar salga o que não perece.

O sorriso já não tem lábios;
A som não tem mais ouvidos;
Nem as cores precisam de olhos.

O que resta, senão a imensidão sem fim?

Os pensamentos já se foram no tempo;
Todas as luzes estão acessas;
E eu corro pelado;
Sem nenhum corpo para reter a ilusão;
O que há para dizer...

No amor...

Paz e Luz!
Terry
Comments