Sem viver, se vive

O véu de luzes... para meditarmos a respeito...

Uma alma encarnada em corpo de homem,
por muitas vidas foi e são varias formas*,
vários seres em vastos planos,
conectado por um fio invisível aos olhos,
até onde a luz chega em forma de prana,
viajando por longínquos espaços até dimensões,
sem tempo, forma ou não forma**,
toda a forma se faz pela própria forma do Ser.

Deitado na cama olhando para dentro,
véus de luzes pairam além da mente,
o estado de quietude da meditação,
os sons ouvidos pela mente sem mente,
toda forma vibrando em forma,
como um continuo som de luz.

O homem vive a vida sem viver,
quando vive a forma dos objetos,
entrando pela boca a forma,
vendo com os olhos a forma,
escutando com o ouvido a forma,
tocando a forma com as mãos,
o homem torna-se parte da forma,
vive a forma com os cinco sentidos,
e esquece que a forma não tem sentido,
é apenas parte da não forma,
que a tudo forma.

O homem vive a vida sem viver,
quando por sentir a forma,
deseja a forma,
venera a forma em imagens,
saboreia a forma com o corpo,
cria a ganância por mais formas,
porque na forma encontra,
a resistência a própria natureza,
que a tudo forma,
pela forma da não forma.

O homem vive a vida vivendo a morte,
através da morte de uma forma,
anseia novamente pela forma,
então retorna como parte da forma,
esquecendo da natureza real da forma,
que a luz e som presenteia a natureza.

Quem vive a vida em prol da forma,
faz parte da forma e deseja da forma,
revive varias vezes até compreender a verdade das formas,
compreender que toda forma é criada pela não forma,
essa não forma não tem expressão ou emoção,
é puro conhecimento auto conhecido,
não é causada pela ação ou inação***,
é repleta por si mesma,
não toca ou é tocada,
faz parte de tudo e está em tudo,
quando se anseia verdade absoluta,
aquEla que brota vazio e cheio,
aquEla que desperta a luz e o som,
aquEla que cria por sua própria vontade,
aquEla que não pode ser compreendida pelo corpo,
aquEla que se vê com os olhos fechados,
aquEla que ao ser vista abre o olho****,
aquEla que ao ser ouvida desperta o som*****,
então...

Quando não existir qualquer desejo pela forma sem deixar a forma,
quando saborear o doce e o amargo sem prender-se ao doce ou amargo,
quando tocar o objeto sem sentir o frio ou calor,
quando respirar o ar sem depender ao ar,
quando olhar a luz e absorver a luz,
quando pela ofensa alheia levar compaixão,
quando pela incerteza tiver toda a certeza,
quando pelo andar estiver em repouso,
quando com os olhos abertos estes estiverem meio fechados,
quando nenhuma manifestação lhe surpreender,
então...

Você torna-se auto conhecido,
despertou para a natureza do Eu,
o absoluto se fez luz e som,
o som e luz unificaram-se,
e a verdade sem ying ou yang,
tornou-se o centro de toda verdade,
o vazio e cheio tornaram-se um,
os quatro lados e dez mil seres despertos,
ativamente vivendo,
calmamente vivendo,
serenos e pacifico,
o Ser torna-se parte do Ser,
em perfeita e continua harmonia e paz,
sem nunca deixar de O ser,
o amor preenche todo o ser,
porque mesmo na mais profunda ilusão do Ser,
o Ser ainda é e sempre será,
Tudo O Que É.

*Ilusão ou Maya
**A verdadeira natureza
***Karma (roda de encarnações)
****Ajna, terceiro olho
*****Om (som primordial, palavra de Deus...)

Om
Namastê,
Terry
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