Sentado no vale esverdeado



Sentando no meio do vale esverdeado,

Depois da neve veio a chuva,
As plantas crescem, as flores se abrem,
O sol aparece tímido e branco,
O amarelo da rosa,
O respirar da águia.

O rio escorre pelas pedras,
Os peixes nadam,
Abelhas colhem o polem,
Nuvens passam pelo céu.

O arroz aflora na grama alagada,
As nozes caem no chão,
A terra abraça a semente,
A folhagem aduba o chão.

Na caverna morcegos voam,
Insetos amontoados no chão,
Lago gelado e cristalino,
Cristais em formação.

A Terra gira entre planetas,
Planetas giram nas galáxias,
Galaxias giram pelos universos,
Uma grande espiral em mutação.

A mente dos homens desgovernada,
Intempestivo é o desejo,
Criador se torna criatura,
A ignorância cega a clara visão,
A chama vira fagulha,
Desconhecendo o pequeno átomo,
Come da grande oferenda.

O escuro não desconhece o claro,
O claro não desconhece o escuro,
Ambos estão em equilíbrio,
Assim como o sol oculta a lua,
A lua oculta algumas estrelas,
A estrela brilha por si mesma.

Não existem números para serem contados,
Nem mantras entoados,
O silêncio é puro,
Não existe diferença no rugido do leão,
E o bater das asas da borboleta.

A cor da grama é verde,
a madeira nasce da raiz,
as folhas caem do galho,
a seiva circula por dentro,
o fruto cresce por fora,
a semente nasce no fruto,
o pássaro come a fruta,
a agua jorra na fonte,
todos bebem da agua.

A criatura nasce do criador,
O tigre corre, caça, reproduz e morre,
O que sobra alimenta quem fica,
Quem fica também morre,
A morte existe por si mesma,
a vida é causada pelo ser,
ambas ciclos espiralados,
fora de ambas,
a realidade é conhecida.

O discípulo escuta o mestre,
O mestre conhece por si mesmo,
O dizer não diz nada,
O aprender é uma ponta,
O praticar o caminho,
Desfazer de ambos é chegar,
Quando chega não chega,
O final existe quando procura,
Quando apenas está,
Não necessita andar em vão.

Conhecer todas as coisas é do homem,
Conhecer a si mesmo é do ser,
Não ser existe por si mesmo,
Existir como homem e todas as coisas,
Não criar nenhuma identificação,
Tudo o que é, não é,
Se algo fosse uma coisa,
Todas as coisas não poderiam estar,
Tudo o que é está,
Todas as coisa existem por si mesmas.

Afundar a atenção,
Levitar pelo precipício,
Mergulhar no mar transparente,
Voar no céu azul,
Andar na estrada de terra,
Afiar a espada,
Tecer o fio de seda,
Vestir o manto branco,
Comer do néctar dourado,
Dormir sem sonhos,
Acordar o corpo,
Lavar os pés,
Raspar os cabelos,
Alongar os tendões,
Respirar pela pele,
Entrar no coração,
Sair pela lótus de mil pétalas.

Paz profunda,
Amor silencioso,
Voz sem palavra,
Escrita sem escritor,
Nada está fora ou dentro,
Nem acima ou abaixo.

Sentado no meio do vale esverdeado...

Om!


Namastê,
Terry
Comments