Sete velas...

As velas já estão a chorar.
O pavio queima, o fogo arde, a cera escorre.
Os anjos vem atendendo ao chamado.
Elementos fluem pelos dez mil caminhos.
A velha senhora se coloca de mãos postas.
O mudra eleva a vibração.
O pensamento intensifica a oração.
Pedidos de tempos passados e futuros saem furtivos.
Quanta sinceridade no choro da criança.
Quanta saudades no velho coração.
Quem pode confortar aquele que chora senão o compassivo?

As velas já estão a chorar por sete dias.
O pavio mergulha sem medo na cera.
Fogo dos sete tempos incineram a injustiça.
O Mestre se aproxima do discípulo.
Arranca do seu peito o choro represado.
Retira dos seus olhos os véus escurecidos pelo tempo.
Coloca o silêncio em sua mente.
O faz sentar-se na quietude do coração.

As velas já deixaram o tempo.
O pavio esvaiu-se no não tempo.
A chama já não arde.
A velha senhora já não recorda o passado.
A criança não chora pelo futuro.
O discípulo subiu pela montanha até os céus.
Nada além de silêncio e quietude.
Quem pode dizer que o silêncio não tem sua música?

Quantas velas ainda restam para chorar até que todos despertem para o amor e possam acender a própria chama do coração?

Paz e Luz!
Terry
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