Tristeza incerta

A tristeza vem pelo descontentamento da rotina.
A alma humana foi feita para criar, inovar, aprender sempre de formas novas, corrigindo erros, depurando estados de consciência inarmônicos.

Quando a tristeza se instala no coração, é porque um novo caminho é necessário para novos aprendizados. Existe um chamado interno para mudanças, seja interna ou externa, ela é necessária para que novos horizontes se abram.

A tristeza é a geradora da depressão, e a depressão aliada ao falso sentimento de vazio, causadora de muitas enfermidades.

Preciso é gozar cada instante da vida, mesmo aqueles onde existem dores e sofrimentos, são oportunidades de mudanças, de ajustes, portanto goze também destes instantes, pois neles existem possibilidades de melhorais do corpo e da mente.

A roda gira intensamente para que possamos verificar todos os ângulos da vida e da morte, até que possamos regressar as moradas mais sutis nos palácios luminais, que se abrem aos Filhos do Amor.

A tristeza é uma válvula de descarga para o comodismo, para que o tempo passe lentamente e se possa olhar para o fato de não estar mais produzindo felicidade a alma, pois como água parada, está sendo criado lodo na aura, já tão fatigada da rotina dos desejos.

A rotina não é disciplina, não é o trabalhar todos os dias, não é o cuidar da família e entes queridos, a rotina que gera a tristeza é aquela que dentro das obrigações, encontra falta de fé, compaixão, gratidão e amor.

Quantas são as pessoas que buscam um novo caminho, e quando o acham, em pouco tempo já iniciam o processo de criticas e todo tipo de reclamações. O que ontem era uma necessidade, agora virou falta de gratidão pelas novas oportunidades de aprendizado.

O ser humano precisa verificar que a tristeza é um fator interno de comodismo, um descontentamento porque não transformou ainda seu interno em luz, dependendo incessantemente de prazeres externos.

Quando algo o satisfaz em um momento, logo o contentamento se vai e sobra a tristeza, por não encontrar o caminho interno da paz.

A tristeza logo se apresenta e toma conta dos pensamentos, gerando raiva, ódio, palavras duras sobre a vida e aquilo que rodeia.

A tristeza só tem fim quando existe a busca pelo que trás paz ao coração.
Essa paz não se conquista pulando de galho em galho, mas somente buscando as raízes da própria existência da alma, até que possa desabrochar a mais linda e tênue flor, do céu e da terra.

E onde buscamos essa paz, esse saber maior sobre o porque é tão difícil para a alma permanecer tão passiva ao invés de compassiva? Qual o motivo real do descontentamento pela rotina?

Essa busca vem quando o ser humano compreende que não são os desejos materialistas que irão preencher o vazio interno.
Mesmo que se tenha toda a fortuna do mundo, toda a riqueza dos reis, todo conhecimento dos doutores, a alma anseia incessantemente por algo que não pode ser comprado, conquistado pelo conhecimento ou criado pelos pensamentos.

Essa busca constante da alma leva-nos de uma lado para o outro, de um trabalho para o outro, de uma casa para a outra, de uma relacionamento para o outro, até que se possa compreender que o Amor está e sempre esteve dentro de todos e tudo.

Mesmo no mais vazio do espaço, ou no núcleo de um átomo, o Amor está presente.
Quando a busca interna contempla que esse amor é o fractal residente em cada átomo, em cada ser, em todas as coisas criadas e não criadas, inicia-se o caminho da sabedoria.

A tristeza aos poucos vai dando lugar as praticas internas do despertar. A rotina do trabalho e dos afazeres vai ganhando novas oportunidades de verificar a essência do Todo em Tudo.

Quando o coração se torna compassivo e não mais passivo, o simples fato de digitar um texto, lavar uma roupa, construir uma casa, limpar o banheiro, cozinhar, entre outras obrigações do sustento humano, se tornam atos novos, pois aquele que mora dentro do corpo verifica uma nova oportunidade de ao conhecer-se refletido em cada fractal da vida e da morte.

Quando a alma compreende que a tristeza veio pelo fato de uma busca pelos prazeres sensoriais, dissabor, então deixa algo substituir essa tristeza por amor.

Muitos acham que esse amor está relacionamentos, que logo acabam.
Muitos acham que esse amor está em novos trabalhos, que logo passam.
Muitos acham que esse amor está na religião, que logo se torna fanatismo.
Muitos acham que esse amor está na comida, que logo vira esterco.
Muitos acham que esse amor está na bebida e nas drogas, que logo turvam a mente.

E quando percebem que isso não era amor, a tristeza bate as portas do coração novamente, mostrando que esse amor não se compra, não se encontra no relacionamento externo nem no fanatismo por um Deus que se teme, ao invés de Ama-lo.

A tristeza vem e mostra novamente que algo está empossado no coração, que é preciso limpar os maus hábitos e pensamentos depressivos.

Novas oportunidades batem a porta quando levanta-se a cabeça e busca a ajuda devida, merecida, aceitando os erros como aprendizado e dando oportunidade para deixar o comodismo, vislumbrando no novo a oportunidade de encontra-se em amor.

Não existe morte para a alma, apenas mudanças continuas na roda gigante do Cosmos.

Permitindo-se viver o diferente, trocando os prazeres do mundo pelo gozo da alma.

Esse gozo, esse samadhi do corpo imoortal, está e sempre estará mais perto do coração de quem ama e agradece mais, do que pede.

A gratidão abre portas imagináveis ao conceito humano.
A gratidão pelo corpo, pelo alimento, pelas pela oportunidade do aprendizado que enriquece a sabedoria ancestral da alma, serve como água cristalina que rega a semente da compaixão.

Quando se verifica o amor no coração e em cada fractal da natureza divina, ama-se sem dor, faz-se do arroz um alimento sagrado, e do trabalho uma oportunidade de meditação contemplativa.

Sente-se calmamente dentro do seu próprio corpo onde reside como humano. Viaje pelas correntes internas da energia cósmica que modelam o humano a semelhança do universo.

Busque nos relacionamentos, olhando através das janelas da alma, os olhos, aquele que habita o interno do corpo, e não somente a forma física carnal e tão perecível. Quando olha atentamente e com fraternidade esse amor que habita todos os seres, percebe que seu ente querido é também um fractal dessa Luz compassiva, ainda tão presa dentro do coração aqueles que só visam a busca externa.

Faça da tristeza um instrumento de mudanças, para que observe o despertar para um mundo novo, dentro de ti.

O TAO é sublime, e manifesta-se em todos, pois a Luz não maltrata as sombras, a ilumina.

Faça da sua morada, a chama da trindade, que encontra-se no coração.


Paz e Luz!
Terry
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