Vamos juntos?


Não confunda  sua própria mente.

Identificando-se com qualquer coisa, gera apego.

Apegando-se a qualquer coisa, cria medo.

O medo vem do tempo.

O tempo vem do pensamento.

O pensamento é matéria, mesmo não visto desta forma.

Como poderia ver o pensamento, se está identificado com ele?

Saindo do tempo sai do pensamento, assim como saindo do pensamento sai do tempo.

Tempo é ilusão, criação, matéria.

Deixando o pensamento, o tempo, desaba a matéria, não resta ilusão temporal.

Na matéria do tempo, o pensamento é rei.

Na ilusão, angustia, medo, dor, prazer, ansiedade, sentimentos, todos seu Eu.

Você é o que pensa ser, e sendo deixa de existir como criador, torna-se criatura.

Por mais espiritualizado que possa transparecer, és humano, espírito na própria experiência da fonte.

Como fonte não pode ser humano, nem pode ser tempo, nem pensamento, És o Todo.

A identificação é perda de controle, um controle que nunca existiu propriamente.

Tudo existe pela real natureza da coisa, essa coisa não identificada em nada, mas que tudo És.

Fugir não resolve, seguir religiões e ritos não resolve, o quanto já seguiu pela vida inteira, por vidas inteiras?

Nasceu e logo respirou, lhe disseram que era homem ou mulher, lhe deram rótulo de Josés e Marias.

Lhe colocaram ensinamentos controversos durante toda a vida, dizendo que isso o tornaria melhor, mais culto e “inteligente”, que poderia e deveria construir uma família, criar ainda mais vínculos, criar ainda mais pensamentos, preocupações.

Muitos professores, mestres, gurus, santos e santas dizendo milhões de palavras, criando mandamentos, dizendo o que deve ou não fazer.

Papas com crucifixos de ouro, gurus com capas vermelhas, mestres de palavras, oradores, escritores, livros de auto-ajuda...

Milhões de caminhos para pensar, e pensando sempre criou ainda mais tempo, ainda mais matéria para pensar e seguir pensando.

Falta espaço, o cérebro atordoado de tantos controles não pensa com inteligência, dá lugar para outros pensarem através de mais pensamentos, uma humanidade inteira de pensadores e criadores, onde poucos deixam os pensamentos de lado para a própria experiência, para a própria vontade.

Livros, mantras, formas, posturas, alimentação, reencarnação, positivo e negativo, yin e yang, muito para pensar, pouco para vivenciar no agora.

Quanto mais afunda na busca desenfreada por conhecimento, quando mais trabalha para sustentar uma economia de conforto e comodidade, ainda mais se questiona, continua pensando seguidamente.

A mente cria seu próprio infinito, e ela mesma como algo limitado consegue pelos pensamentos criar mais matéria, mais tempo, mais ilusão, não aceita sua própria morte.

Impor a mente é criar conflito, harmonizar todos os aspectos vivendo a vida, com ou sem livros, com ou sem família, ignorante ou sábio, vivendo harmoniosamente deixando o amor entrar, a fagulha vira fogueira.

Segue dia a dia, acordando, comendo, trabalhando, se entretendo com todos os luxos e prazeres dos sentidos, afogando cada pedaço da sua pequena existência como humano nas aventuras desmedidas da conformidade, nunca parando e abandonando sua própria identificação com tudo isso, largando e tirando tudo da mente para recordar sua própria essência, aquele que traduzem como Deus, o TAO, a Fonte de Tudo O Que É.

Alguns espirram e derramam sobre outros que o Eu Sou é a máxima da vida, que sendo o Eu Sou estão iluminados...

Este Eu Sou nada mais é do que realmente você, um ser raivoso, inconformado com a própria vida, angustiado, teimoso, ansioso, feliz, apaixonado, um verdadeiro EGO Humano.

Olhe você, nesse exato momento enquanto este que está escrevendo põe claro esta questão, não uma verdade, apenas algo para “pensarmos” juntos, refletirmos por nós mesmo, não algo para aceitar, acreditar, ou criticar, pense por si, leia com o coração e não com o julgamento, pensando enquanto lê no certo e errado.

Andar na floresta faz com que pise na grama, mas não se preocupa se esta ferindo a planta, apenas caminha seguro de si.

Quando se toca na ferida com um pouco de sal, doe e põe em risco o  orgulho, parte desse medo que fica ai dentro ocultando sua essência, parte deste apego as suas memórias pelo humano que está sendo ontem e amanhã, não o que és agora, mas o que foi e será se não mudar, AGORA.

Cair no passado é fácil, viver as dores e felicidades de ontem é fácil, simples pensamentos e memórias.

Esperar do amanhã algo melhor que hoje não é diferente, mais pensamento, mais expectativa, mais angustia, mais desejo, mais apego.

O homem perde um filho e chora pelas lembranças, pelas memórias.

Um filho perde a mãe e chora pelo apego, por paixão, pela falta do outro.

Ambos continuam suas vidas, remoendo ou não memórias, criando ou não perspectivas para o futuro, pensamentos do que terão para comer amanhã, se irão conseguir um emprego melhor, se poderão construir uma família, se serão perdoados por Deus pelos pecados de ontem, ou irão reencarnar em uma próxima vida para viver ainda mais pensamentos.

Outros ainda buscam tanto a iluminação que a cabeça acende em chamas de desejo. Milhões de livros, textos, mestres, gurus... vidas e vidas de apego a uma religião ou forma de viver para atingir a iluminação.

A própria incoerência seria atingir algo que não se atinge, ter algo que não se pode ter, desejar algo que não é desejável.

Como um ser identificado com tudo aquilo que não é iluminação, pode estar no estado de iluminado? Como alguém que deseja e pensa tanto no passado e no futuro pode viver o agora? Não pode, e por isso sofre ainda mais, procura ainda mais, pensa ainda mais, critica até estes pequeno escritor ainda mais, porque não lê com o coração, põe seu EGO a frente e primeiro julga, cria vinculo, se apega a dualidade do certo e errado, não intui, não olha com o coração, não chora com o coração, não sorri com o coração, usa tudo dentro da mente, cria pensamento, tempo, ilusão.

Nesse texto não tem verdade, não tem certo ou errado, estou apenas escrevendo, não sou teu amigo, tua família, teu irmão, teu pai, teu mestre, teu guia, professor, marido, mulher, colega, aprendiz, chefe, funcionário, presidente, governo, santo, pecador, ou qualquer outro rótulo que queria dar, nem sou também esse Eu Sou que muitos enaltecem por ai.

Não sou nada nem peço coisa alguma, só estou aqui sentando escrevendo, observando o que se passa, abrindo o coração para que flua algo que possa ser benéfico da forma como for a qualquer ser, inclusive ao que escreve neste momento, já que todos, independente de raça, religião, planeta, dimensão... partem da mesma energia, amor.

Não somos diferente, nem iguais, apenas parte de algo muito lindo, um amor que penetra fora de qualquer classificação, verso ou palavra, algo que por mais que se tente atingir, não se atinge com paradoxos ou misticismo, nem pelo mais vasto aprendizado não é tocado, nem pela alma mais pura nem pela mais suja, não pode ser atingido, não pode ser tocado pelo desejar.

Apenas fundindo tudo e nada, abandonando sua própria verdade ou ignorância, deixando todas as suas identificações, vivendo pelo fato de ser, sem explicação, conhecimento, nada, então, És.

A morte é vida, vida é morte, ambas devem andar juntas e fundidas no agora. Temer algo entre ambas é pensar em algo que pode ter, como bom ou ruim.

Como classificar com bom ou ruim algo que É , indivisível?

Seu pensamento classifica e rotula, cria tempo, matéria... desapegue, viva morto e vivo ou mesmo tempo, recorde que És espírito no corpo humano, ou qualquer outro corpo em qualquer planeta, dimensão...

Não se prenda e deseje uma dimensão em especial, rotular uma dimensão como melhor e pior é desejar estar em um lugar especifico, estar melhor porque JULGA ser melhor que outros para estar lá, usa da compaixão, bondade como créditos financeiros para ganhar seu espaço em um lugar melhor, retire isso também, se faz algo positivo para outros seres, não espere um lugar melhor ou pior, não espere nada, apenas faça por amor, já que amor És.

Vem a palavra ao texto, meditação, questionam como parar a mente, os pensamentos, o tempo, pois bem...

Parar o pensamento é conseqüência, não é o meio para criar espaço.

Pensar é natural, deixar de pensar é natural, meditação é um dos caminhos. Mas nem ela pode ser a chave se a deseja, deve antes retirar o desejo. Sente e fique quieto, observe e nada mais, o resto flui.

Meditar não é algo místico, é exato e perfeito durante toda sua vida, ao caminhar, trabalhar, fazer compras... perceba, não é não pensar e sim vivenciar o espaço entre cada pensamento, observar, até que este espaço tome conta.

Não é um espaço mensurável ou que possa ver, ouvir, falar... o amor é espaço infinito, algo além que está agora aqui e ai, no mesmo ar que sai das minhas narinas e possivelmente pode passar e entrar na sua narina, do Brasil ao Japão, o mesmo ar. Ar que também contém prana, chi, energia divina... espaço sem pensamento é natural e vem fora do tempo, fora do pensar, fora do procurar algo bom ou ruim, vida e morte unificados.

Cristo, Krishna, Buddha, Lao-Tsé, Krishnamurti, Osho, Yogananda, Sananda, Mãe Maria... posso citar vários seres de luz agora, tantos que não caberiam em poucos escritos... ambos pisaram com seus corpos na Terra, em Gaia ou como queira chamar essa linda energia. Todos ensinaram de certa forma, muitos aprenderam, muitos estão aprendendo, mas todos se cruzam em um aspecto único, uma observação, um ensinamento máximo, o AMOR.

Seja como for, o que tenha feito ou pretenda fazer, esqueça por um momento e deixe fluir o amor em ti, abra teu coração e não leve tão a sério o que escrevi aqui, não crie rótulos por gentileza.

Seriedade, pelo sim pelo não, cria preocupação, preocupação se vai morrer, se vai ter dinheiro, se vai fazer certo ou não amanhã, se o escritor aqui está sendo prepotente ou indo contra tudo o que escreveu dizendo para você esquecer... enfim, não dê tanta atenção.

Se sentir vontade, agora, feche os olhos e respire profundamente, sinta o mesmo arrepio que o escritor sente agora enquanto  esse amor afasta tudo, todos os pensamentos, todos os medos, tudo aquilo que desde criança aprendeu e foi condicionado a fazer... queima no fogo ardente do amor tudo o que ficou para trás e viva feliz, porque já o És, independente de reconhecer a si mesmo como AMOR.

Deixe fluir... fluindo tudo se torna uma breve passagem, uma breve temporada de mais um capitulo de Deus olhando para si mesmo.

 

Namastê,
Terry

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