Yoga - Chakras‎ > ‎Artigos Diversos‎ > ‎

Felicidade Interna Bruta (FIB)

Como exportar felicidade
Um pequeno reino no Himalaia ensina ao mundo como ser feliz

Texto e fotos: Haroldo Castro

Um pequeno reino no Himalaia ensina ao mundo como ser feliz

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88986.jpg

Karma Ura, presidente do Centro de Estudos do Butão, é uma autoridade na
pesquisa do Índice da Felicidade Bruta do país.

Uma nação encravada na Cordilheira do Himalaia está revolucionando alguns
conceitos básicos da vida humana. Ao criar um novo índice para medir a
qualidade de vida de seus habitantes, o Butão oferece uma receita inovadora
para nosso mundo de hoje, demasiadamente ancorado em aspectos materiais.

Tudo começou com Jigme Singye Wangchuck, que substituiu seu pai como o rei
do Butão, em 1972. Ele tinha apenas 17 anos de idade. Sua coroação, dois
anos mais tarde, marcou o fim do isolamento do pequeno país (menor que o
Estado do Rio de Janeiro), escondido nas montanhas. De fato, até então,
nenhum estrangeiro tinha autorização para entrar no reino, a não ser quando
convidado pela família real. A partir de 1974, o paraíso proibido começou a
abrir as portas ao mundo.

Nos 34 anos de reinado, o desafio do rei Jigme Singye Wangchuck foi o de
equilibrar o desenvolvimento econômico com os valores culturais e
espirituais da nação. Em 1987, respondendo a um repórter do jornal britânico
Financial Times sobre a razão de o desenvolvimento no Butão caminhar a
passos tão lentos, o rei teria respondido que "a Felicidade Interna Bruta é
mais importante do que o Produto Interno Bruto". E teria arrematado: "Em
nosso processo de desenvolvimento, a felicidade precede a prosperidade
econômica."

"A Felicidade Interna Bruta é mais importante do que o PIB. Em nosso
processo de desenvolvimento, a felicidade precede
a prosperidade econômica."
Jigme Singye, rei do Butão, em entrevista ao Financial Times

O conceito de o bem-estar do indivíduo não estar obrigatoriamente
relacionado com bens materiais passou a percorrer o mundo e chamou a atenção
de estudiosos. Afinal, o índice do Produto Interno Bruto (PIB), usado por
todas as nações do planeta, sempre foi considerado limitado. O PIB é apenas
uma fórmula que determina a quantidade total da produção e do consumo de ser
viços e bens por meio de transações econômicas. Pouco importa se a riqueza
foi originada por guerras, prostituição e devastação da natureza ou se é o
resultado de um trabalho honesto e uma atividade sustentável.

Se algum bem é conservado e não é consumido, essa operação não é registrada
no PIB, pois esta não gera um valor específico. Por exemplo, uma floresta
mantida intacta não entra no cálculo do índice, enquanto o conserto de um
veículo acidentado (que pode até ter provocado vítimas fatais) é
contabilizado. O PIB não consegue medir o trabalho voluntário e chega a
ampliar a discriminação contra as atividades não-remuneradas, cujas
motivações estejam acima do ganho financeiro.

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88987.jpg

"As medidas do PIB não medem a degradação do meio ambiente, o esgotamento
dos recursos naturais nem o agudo declínio na qualidade de vida dos
cidadãos. Acho que, em todos os espectros políticos, existe o reconhecimento
dessas deficiências e a convicção que é importante desenvolver medidas mais
adequadas", afirma Joseph Stiglitz, economista reconhecido com o Prêmio
Nobel 2001 de Economia. Stiglitz foi convidado pelo presidente francês,
Nicolas Sarkozy, para desenvolver um novo sistema de cálculo econômico que
possa incluir fatores de qualidade de vida.

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88995.jpg

A FIB se apóia no desenvolvimento socioeconômico, na conservação ambiental,
na promoção do patrimônio cultural e na boa governança

As palavras de um rei (adorado por seus súditos) sobre a importância da
felicidade foram levadas a sério pelos butaneses. Era preciso colocar em
prática o desejo real e o índice Felicidade Interna Bruta (FIB) devia ser
sistematizado. Em 1998, o conselho de ministros estabeleceu o Centro de
Estudos do Butão, o qual passou a organizar as informações sobre a FIB. O
conceito também foi incluído nos Planos Qüinqüenais e foi definido que a FIB
deveria se apoiar em quatro pilares: desenvolvimento socioeconômico
sustentável e equitativo, conservação ambiental, promoção do patrimônio
cultural e boa governança.

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88988.jpg

Enquanto isso, ao redor do mundo, um número crescente de economistas,
cientistas sociais e empresários buscava outras medidas e indicadores que
levassem em consideração não apenas o fluxo de dinheiro (como no caso do
PIB), mas também a saúde, a cultura, o tempo livre dos indivíduos, a
conservação da natureza e outros fatores não-econômicos.

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88989.jpg

Vários índices começaram a aparecer na década de 90. O primeiro passo foi
dado com o estabelecimento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Utilizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o
IDH, além de incluir a renda per capita de um país, dá destaque à
expectativa de vida dos habitantes, ao grau de alfabetização e às
realizações educacionais.

Medir valores subjetivos, como a felicidade, é uma tarefa muito complicada,
pois cada pessoa a compreende de uma forma distinta

Já o Indicador de Progresso Genuíno (IPG) introduz em seus cálculos os
fatores negativos criados pela sociedade, os quais não são contabilizados
pelo PIB. Por exemplo, a implantação de uma fábrica representa -
indiscutivelmente - um aumento no PIB de uma região. Mas se os benefícios
trazidos pela nova empresa também vierem acompanhados por uma degradação da
saúde, da cultura e do bemestar da comunidade, o resultado final pode ser
zerado, anulando os benefícios econômicos trazidos. Segundo os seguidores do
IPG, existem vários custos não-econômicos que devem ser incluídos, como o de
uso dos recursos naturais, de perda dos ecossistemas, de poluição (sonora,
do ar e da água), de criminalidade e, até mesmo, de dissolução de famílias.

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88990.jpg

Outra tentativa de medir o bem-estar da sociedade, ainda menos ortodoxa, é o
Índice do Planeta Feliz (IPF), criado pela Fundação New Economics, um
think-tank (usina de idéias) britânico. Um dos componentes mais importantes
do IPF é a eficiência ecológica de uma nação e de seus indivíduos. A idéia
não é identificar o país "mais feliz" do planeta, mas sublinhar que é
possível atingir altos índices de bem-estar e viver plenamente sem consumir
excessivamente ou desgastar os recursos naturais.

Medir valores subjetivos, como a felicidade, é uma tarefa complicada, pois
cada pessoa a compreende de forma distinta. Para alguns cientistas, a mente
funciona apenas como um aparelho que responde a estímulos externos. A
felicidade, nesse caso, é percebida como uma conseqüência direta dos
prazeres sensoriais registrados pela mente. Como estes são passageiros, a
ênfase na busca de estímulos materiais é cada vez maior.

A filosofia budista aponta para outra fonte de felicidade, aquela que tem
origem em estímulos internos

Já a filosofia budista aponta para outra fonte de felicidade, aquela que tem
origem em estímulos internos. É o estado em que o indivíduo vivencia o
"ser", ao contrário de reagir apenas aos estímulos externos. A ciência
comportamental comprovou que, de fato, a mente pode ser treinada por meio de
práticas específicas (como a meditação) para promover estados duradouros de
serenidade e contentamento. Quando a felicidade é compreendida dessa
maneira, a busca desenfreada pelas sensações externas e o conseqüente
consumo insustentável dos recursos naturais podem ser reduzidos
consideravelmente, promovendo uma economia mais saudável.

Segundo Karma Ura, presidente do Centro de Estudos do Butão, uma autoridade
na pesquisa da FIB em seu país, a felicidade deve ser "um bem público, já
que todos os seres humanos almejam alcançá-la". Ele acrescenta que "a busca
da felicidade não pode ser deixada exclusivamente a cargo de esforços
privados. Se o planejamento do governo e as condições macroeconômicas da
nação forem adversos à felicidade, esse planejamento fracassará como meta
coletiva. Os governos precisam criar condições que conduzam à felicidade".

O primeiro-ministro do Butão, Jigmi Thinley, em discurso na Assembléia Geral
da ONU em setembro, explicou por que seu país instituiu a FIB. "É
responsabilidade do Estado criar um ambiente que permita aos cidadãos buscar
a felicidade." Ele considera que o ser humano deve ser visto de uma forma
holística. "O bem-estar material é apenas um componente e este não assegura
que os cidadãos estejam em paz com o ambiente e em harmonia entre eles."

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88992.jpg

Contando com o apoio incondicional do monarca, a FIB passou a ser um
elemento estratégico da política de planejamento do Butão e criou-se uma
coleção de novos indicadores socioambientais. Um questionário com 1.300
perguntas foi elaborado e uma amostra da população respondeu ao teste. A
pesquisa incluía as mais variadas perguntas, como quantas horas o indivíduo
dormia à noite ou quanto tempo passava com amigos e parentes.

A convite do PNUD, Michael Pennock, diretor do Observatório para Saúde
Pública em Vancouver, Canadá, passou três meses no Butão em 2006 para
desenvolver um questionário mais "internacional" sobre a busca da
felicidade. "O questionário butanês era muito longo, eram necessárias seis
horas para ser respondido. Fui ao Butão para criar uma versão menor, mais
concisa, que pudesse ser respondida em 20 ou 30 minutos. Usamos apenas 100
variáveis para indicar os níveis de satisfação de um indivíduo no seu
cotidiano", diz Penncock.

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88993.jpg

A felicidade deve ser um bem público, já que todos almejam alcançá-la

Os pilares da FIB no Butão foram "ocidentalizados" e passaram a ter nove
dimensões. Além das quatro iniciais - bom padrão de vida, boa governança,
proteção ambiental e promoção da cultura - foram adicionados outros cinco
itens: educação de qualidade, boa saúde, vitalidade comunitária, gestão
equilibrada do tempo e bem-estar psicológico.

"Foi preciso dar pesos diferentes para cada área, em cada país. Para países
mais pobres, enfatizamos as necessidades materiais. No Butão, um peso maior
foi conferido ao aspecto cultural - o que não acontece no Canadá, uma nação
multicultural por natureza", explica Penncock.

O conceito da FIB já chegou ao Brasil. No final de outubro, o butanês Karma
Ura se reuniu em São Paulo com empresários interessados em sustentabilidade,
deu palestras na Unicamp e na USP e participou da 1ª Conferência Brasileira
sobre a FIB. Apesar de ter estranhado o clima quente e úmido, Ura adorou o
calor humano brasileiro. "Tenho certeza de que o conceito da Felicidade
Interna Bruta vai ser bem aceito no Brasil. Vocês sabem o que é ser feliz."

http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/imagens/i88994.jpg

Fonte: http://www.terra.com.br/revistaplaneta/edicoes/436/artigo123634-1.htm
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:18
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:18
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:19
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:19
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:19
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:19
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:19
ą
Terry Fabris,
26 de fev de 2010 06:19
Comments