Yoga - Chakras‎ > ‎Artigos Diversos‎ > ‎

OITO PEROLAS DO ENSINAMENTO DE SHANKARA

1. O Atman (1) é autoluminoso, porque não necessita de sol e nem de
luz nenhuma. Sua luminosidade é o conhecimento e manifesta-se
igualmente através de todos os objetos. Sua luz não é o oposto da
escuridão. Porém, até mesmo o sol, como todos os corpos
incandescentes, depende de certas combinações para iluminar-se, e,
ainda que combata a escuridão, nunca chega a eliminá-la por completo.

2. É estranho que um indivíduo, sabendo muito bem que seu corpo lhe
pertence como qualquer móvel, siga condicionado com a idéia de que é o
corpo.

3. Sou, em verdade, Brahman (2), sendo equânime e imperturbável. Minha
natureza é existência, conhecimento e bem-aventurança - Sat-Chit-
Ananda (3). Não sou o corpo, em nenhuma forma, seja densa, sutil ou
causal. A isso os sábios chamam o verdadeiro conhecimento.

4. O fogo do conhecimento, que foi aceso pelo discernimento, queima,
até a raiz, os efeitos de avidya (4).

5. Para aquele que foi mordido pela serpente da ignorância, o único
remédio é o conhecimento de Brahman. De que podem lhe servir os Vedas,
os mantras (5), as escrituras ou outros remédios?

6. Um ator pode vestir-se especialmente para uma representação, mas é
sempre a mesma pessoa por baixo da roupa. Da mesma maneira, o perfeito
conhecedor de Brahman sempre é Brahman, e nada mais.

7. A renúncia externa não tem muita eficácia. Abdicar do corpo ou do
bastão e do pote de água, que são as insígnias de um monge, não
significa liberação (moksha). Esta consiste na dissolução do nó do
coração, a ignorância primária.

8. Se uma folha cai num rio ou numa encruzilhada, ou até mesmo num
lugar santificado por Shiva, que bem ou mal pode causar à árvore? A
destruição do corpo é como a queda da folha, flor ou fruto. Não afeta
em nada o atman, que é nossa verdadeira natureza. Este sobrevive, como
a árvore.

- Shankara (6) -

Notas: - Notas do sânscrito (por Wagner Borges):

1. Atman - o espírito; o ser imperecível; a centelha vital do divino;
a essência espiritual.

2. Brahman - O Supremo, O Grande Arquiteto Do Universo, Deus, O Amor
Maior Que Gera a Vida. Na verdade, O Supremo não é homem ou mulher,
mas pura consciência além de toda forma. Por isso, tanto faz chamá-lo
de Pai Celestial ou de Mãe Divina. Ele é Pai-Mãe de todos.

3. Sat-Chit-Ananda - Sat: "O Ser" - Chit: "Consciência" - Ananda: "Bem-
Aventurança".

É um mantra muito utilizado pelos iogues. Significa que o atman
(essência divina, espírito) está consciente e tem a nítida percepção
cósmica de que está completamente permeado pela onipresença de Brahman
no centro do coração espiritual.

4. Avydia - ignorância.

5. Mantra - palavra oriunda de Manas: Mente; e Tra: Controle. -
Literalmente, significa "Controle da mente".

Determinadas palavras evocam uma atmosfera superior que facilita a
concentração da mente e a entrada em estados alterados de consciência.
Os mantras são palavras dotadas de particular vibração espiritual,
sintonizadas com padrões vibracionais elevados. São análogos às
palavras-senhas iniciáticas que ligam os iniciados aos planos
superiores.

Pode-se dizer que os mantras são as palavras de poder evocativas de
energias superiores. Como as palavras são apenas a exteriorização dos
pensamentos revestidos de ondas sonoras, pode-se dizer também que os
mantras são expressões da própria mente sintonizada em outros planos
de manifestação.

6. Shankara: sábio hindu do século 9 d.C. - Autor de um livro clássico
do Hinduísmo: "Viveka Chuda Mani". Também é um dos epítetos do deus
Shiva, um dos aspectos da trimurti hinduísta: Brahma - O Criador;
Vishnu - O Preservador; e Shiva - O Transformador.

Logo, Shankara é considerado como um dos avatares de Shiva.

Obs.: A tradução literal de Shankara é "Aquele que dispensa bênçãos" -
"dispensador de bênçãos"; ou seja, Shiva e, por extensão, os seus
avatares.
fonte: http://www.ippb.org.br/modules.php?op=modload&name=News&file=article&...

Comments